Por Mariana Honesko

O desenho não mudou nada desde a década de 30. O caminho usado por umas poucas carroças e pedestres tranquilos, não sofreu nenhuma alteração. A frota, contudo, aumentou e se modernizou. De acordo com levantamento feito pelo Departamento de Trânsito, baseado nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Porto União já tem 16.643 veículos, um crescimento gigante para uma tímida frota de 6.446, registrada há uma década. Somado com União das Vitória, as Cidades Irmãs tem 44.955 veículos. Na matemática, algo em torno de 1,91 habitante por carro. “Os dados já são de cidades grandes, que tem problemas no tráfego”, lembra o diretor do setor, César Viganó.
Nos horários de pico, o caos tem endereço e é no entroncamento da Rua Sete de Setembro que ele se afunila. Recente pesquisa de campo feita pelo departamento em parceria com a Uniguaçu mostra que das 17 às 19 horas, cerca de 10% de toda a frota emplacada em Porto União faz uso do acesso. “Fora o trânsito flutuante”, pontua Viganó.

O local é uma das principais entradas para os bairros Santa Rosa e São Pedro, dois dos mais populosos da cidade. Além de quem volta para casa, o ponto também se torna movimentado por conta da localização. O entroncamento fica próximo de várias instituições de ensino, unidades hospitalares e estabelecimentos comerciais.
Soma-se ao roteiro estratégico, a falta de costume dos motoristas em procurar rotas alternativas. “E se não fosse a Avenida dos Ferroviários, o único sentido para o Bairro Santa Rosa seria a Sete de Setembro. Na minha opinião, uma das grandes obras foi justamente esse desvio”, defende o diretor de Trânsito. Com a popular “Perimetral”, outro bom número da frota também consegue chegar aos bairros Santa Rosa e São Pedro.
Alternativas

De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Trânsito (Comutran), as melhorias para o local foram discutidas em três dos cinco encontros da entidade já realizados neste ano. A inversão do último trecho da Rua Sete de Setembro ainda é umas das alternativas mais próximas para a redução do problema. “Sabemos que não tem como acabar com ele naquele ponto. As alternativas apenas vão deixar o problema menor”, afirma Cláudio Tilgner.
Outras tentativas estão no papel. Elas endossam um dossiê com sete sugestões possíveis de execução. A colocação de semáforos não está descartada. Porém, diante do número intenso de veículos, os estudos esbarram no tempo. Aplicado, calcula-se que os sinaleiros atrasem em até uma hora a passagem de todos os carros no entroncamento. “Hoje é confuso, mas em 15 minutos está tudo resolvido e mais tranquilo”, lembra Viganó.

Outra alternativa também tem entraves. A construção de rotatória, já sugerida pela comunidade, atrapalharia os ônibus. Colocada no centro do entroncamento, a circunferência não permite conversões de carros de grande porte. Deslocada, ainda dependeria de testes. Uma das propostas mais audaciosas envolve a desapropriação de três terrenos. A medida ligaria a Rua Matos Costa e João Pessoa à Avenida Santa Rosa. Mais burocrática e delicada, a intervenção também custaria a mudança no sentido da Rua Sete em uma extensão maior. Endossam o documento, ainda, a construção de um elevado e a ligação do Mirante à Rua Cruzeiro. “Mas essa ação é bem mais complicada. Envolve licenças ambientais também”, pontua Viganó.
Enquanto a solução ideal não surge, o pedido dos setores de trânsito é para que, quando possível, outras rotas sejam usadas. Nem todas são asfaltadas, mas a maioria tem pavimento. O assunto deve voltar à pauta da reunião do conselho ainda neste mês. Mais do que discutir as possibilidades de intervenção, a retomada da discussão atende um pedido da comunidade e dos comerciantes. Nas redes sociais moradores lideram a montagem de um abaixo-assinado e questionam o que pode ser feito.