O coordenador de Economia Verde do Ministério da Economia, Gustavo Fontenele, foi exonerado do cargo no último dia 10. Sua saída está diretamente associada à pressão feita pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por conta de divergências sobre as regras que vão balizar a abertura do mercado de carbono e emissões no País. A informação foi publicada pelo jornal e confirmada pela reportagem do Estadão com fontes ligadas aos ministérios.
Fontenele deixou o posto por decisão de Carlos da Costa, secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, após pressão de Salles. Fontenele vinha assessorando o governo em uma série de projetos estratégicos da área de infraestrutura, envolvendo processo de licenciamento ambiental.
Por meio de nota, a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade afirmou que “a exoneração do servidor Gustavo Fontenele foi uma decisão interna, não relacionada a qualquer tipo de interferência externa” e que reforça seu “compromisso em favor de medidas que preservem a soberania do País, aumentem a competitividade e contribuam para a economia sustentável do Brasil”.
Procurado, Ricardo Salles não se pronunciou. Gustavo Fontenele também não comentou o assunto. Questionado pela reportagem, o secretário Carlos da Costa disse que se trata de “fofoca” e que foi uma decisão interna. “Nunca falei sobre o assunto com o Salles”, comentou. “Fofoca, fake news, gente insatisfeita querendo fazer intriga”, declarou.
A exoneração expõe um duelo travado entre o Ministério do Meio Ambiente e a pasta comandada por Paulo Guedes. São várias as rusgas por divergências entre os dois lados. De acordo com fontes da área técnica, a saída de Fontenele do governo seria o símbolo dessa pressão.
Avaliado como um apaixonado pelo tema do meio ambiente, Fontenele ficou no cargo por 11 meses. Agora, segundo suas redes sociais, passou a ser analista de comércio internacional, também no governo.
Uma das principais barreiras criadas pelo coordenador e outros técnicos em sua gestão foi o impedimento da criação de um imposto de carbono. Temia-se que a empreitada acabasse se resumindo a um aumento da carga tributária, sem que houvesse compensação.