Investimento em startup em 2020 foi de R$ 19,7 bi

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Atualizado há 5 anos

O movimento de aquisições de startups por grandes empresas só tem sido possível pelo amadurecimento do chamado “ecossistema” de inovação. De 2011 para cá, o número de startups cresceu numa média de 100% ao ano e alcançou a marca de 13,5 mil empresas, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups). Esse avanço ocorreu, sobretudo, por causa da enorme liquidez e redução das taxas de juros no mundo.

No ano passado, o setor recebeu R$ 19,7 bilhões em investimentos, segundo dados da Abstartups. Com a queda da Selic, os investidores tiveram de buscar novas formas para remunerar o capital, e os fundos de venture capital – que apostam em startups – se tornaram opção. “De janeiro a abril, já temos investimentos da ordem de 70% do que foi destinado ao setor no ano passado (cerca de US$ 2,3 bilhões)”, diz o presidente da associação, Felipe Matos.

Segundo ele, a pandemia trouxe uma nova realidade para a sociedade e criou oportunidades. A tecnologia ganhou grande presença com as necessidades das empresas para atender a população, o que impulsionou fusões e aquisições e aberturas de capital. “Temos hoje um ecossistema que floresceu com mais investimentos. Não é um sucesso do dia para a noite”, diz Daniel Chalfon, sócio da gestora de venture capital Astella Investimentos.

De olho em soluções inovadoras que surgem no mundo das startups, a Tivit decidiu criar um novo departamento: o Tivit Ventures. O objetivo é fazer cerca de 10 aquisições por ano até 2025, diz o diretor de estratégia da companhia, Eduardo Sodero, responsável pela área de fusões e aquisições. O orçamento para as compras é da ordem de R$ 400 milhões.

Desde a criação do departamento, em novembro de 2020, a companhia já comprou cinco startups, entre elas a Privally (plataforma voltadas para a adequação de empresas à lei de proteção de dados) e a DevAPI (de integração de sistemas), em abril deste ano. “É um benefício mútuo. Ao mesmo tempo que conseguimos trazer para dentro da corporação mais inovação e novas tecnologias, as aquisições fortalecem as startups, que tendem a manter a estrutura independente.”

Sodero diz que o objetivo é buscar soluções de software que facilitem a vida das empresas. O foco atual, diz ele, está em startups de cibersegurança, inteligência artificial e fintechs.

Com duas aquisições feitas neste ano, a companhia de software Totvs protagonizou um dos maiores negócios no mundo das startups. A empresa comprou a RD Station – plataforma de marketing digital criada em 2011 – por quase R$ 2 bilhões. “Ao longo da nossa história, fizemos mais de 45 aquisições, mas de startup foram as primeiras”, diz o presidente da empresa, Dennis Herszkowicz.

Para ele, essa era a oportunidade de avançar na cadeia de valores, ir além dos softwares de gestão e abrir mercados. A outra startup adquirida foi a Tail Target, de big data (análise de dados). O presidente da Totvs conta que tem avaliado centenas de empresas que possam se enquadrar nos objetivos do grupo, como reforçar a atividade principal de gestão e melhorar a presença em alguns setores da economia (agronegócios, indústria e serviços logísticos). “Não adianta saber o que tem de ser feito e só executar em dois a três anos. Fazer essas aquisições significa um atalho para as oportunidades”, diz o executivo.

A influência digital nas vendas de marcas famosas despertou o interesse do presidente da Alpargatas, Roberto Funari, pelas startups. A empresa comprou no início de maio a mineira Ioasys, especializada na criação de soluções digitais e desenvolvimento de aplicativos, por R$ 200 milhões.

Foi a primeira aquisição da companhia, que quer criar um ecossistema para acelerar a expansão internacional e de novos produtos. O foco da companhia hoje são os mercados americano, europeu e chinês. “Nossa estratégia é encontrar soluções para potencializar o crescimento da Havaianas, oferecendo uma nova experiência para os usuários”, diz Funari.

Segundo ele, hoje a empresa busca inovação para melhorar os serviços, para a editorialização das marcas e para eliminar problemas nos canais de vendas. Essa busca é um exercício diário em qualquer departamento da empresa, que tem a responsabilidade de trazer soluções para questões importantes da companhia.

Desde fevereiro de 2020, a companhia de tecnologia Locaweb já fez dez aquisições de startups. Para isso, analisou mais de 1.900 empresas com soluções variadas, diz o presidente do grupo, Fernando Cirne. Segundo ele, o objetivo é “enriquecer o ecossistema de e-commerce, entrar em novos mercados e fazer a consolidação do segmento”.

Mas, depois de avaliar tantos negócios, ele afirma que comprar uma empresa não é trivial. “Há muita startup boa, mas também há muitas sem gabarito”, diz. Além disso, as compras seguem critérios: as startups precisam ter um produto maduro, receitas e os fundadores têm de continuar na empresa. “Não queremos só empilhar receitas. Compramos startups que se encaixam no nosso ecossistema e que podem ser aceleradas no grupo.” Cirne destaca que a companhia tem procurado conciliar trabalhos internos com aquisições. “Se é algo que o mercado ainda não tem, há tempo para podermos desenvolver. Mas se já existe, vamos comprar e incorporar.”

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