A Bolsa brasileira (B3) bateu um recorde de fechamento, pela segunda vez consecutiva, ontem, ao encerrar em alta de 0,52%, aos 126.215,73 pontos. O desempenho se deu sem o apoio do exterior, com os mercados de Nova York e Londres fechados em razão de feriados locais. O resultado foi sustentado pelo ganho das ações da Vale e pelo dólar (R$ 5,2249) com alta contida a 0,25%.
Na última sexta-feira, ao encerrar o pregão aos 125,5 mil pontos, o Ibovespa havia batido o recorde de fechamento alcançado em janeiro. Com isso, acumula em maio alta de 6,16%, maior ganho mensal desde dezembro de 2020, quando subiu 9,30%. É o terceiro mês consecutivo em que o principal índice da B3 fecha em alta. No ano, o índice sobe agora 6,05%.
Chamaram atenção ontem os ganhos das mineradoras (Vale ON, 2,86% e Usiminas, 1,33%), apoiados pelo avanço de 4% do minério de ferro na China, que reaproximou a tonelada da linha de US$ 200. O resultado também foi sustentado pela alta do setor de energia, que tem se valorizado na esteira da crise hídrica – um movimento que favorece as operadoras de termelétricas. Com isso, Cosan subiu 6,61% e Eneva, 4,59%.
Entre outros destaques, Santander subiu 1%, enquanto Petrobrás ON e PN recuaram 0,22% e 0,44% cada, apesar do bom desempenho dos contratos de petróleo no exterior.
No quadro macro, “melhores perspectivas de crescimento econômico, a melhora nos números fiscais e alguns avanços nas discussões das reformas contribuem para cenário favorável, inclusive para o fortalecimento do real frente ao dólar, que acumulou valorização de 3,8% (em maio), com o câmbio a R$ 5,22”, observa Pietra Guerra, analista da Clear Corretora.
De acordo com a B3, os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 1,781 bilhão na última quinta-feira, 26, quando o Ibovespa fechou em alta de 0,30%, aos 124.366,57 pontos, e giro financeiro reforçado a R$ 51,4 bilhões. Em maio, as entradas de recursos externos somaram R$ 10,845 bilhões até o dia 26, elevando o fluxo positivo a R$ 30,025 bilhões em 2021.
Em nota, os analistas Heloise Sanchez e Régis Chinchila, da Terra Investimentos, chamam atenção para desdobramentos positivos para a perspectiva doméstica. “Os investidores seguem de olho em Paulo Guedes e Roberto Campos Neto. O ministro disse que a dívida pública fechará o ano perto de 85% do PIB, no mesmo evento em que Bolsonaro afirmou que o governo está comprometido com as reformas”, observam. No começo do ano, as projeções eram de que a dívida poderia atingir até 100% do PIB.