Por Mariana Honesko

A bilheteria não é a melhor. Em algumas ocasiões, os profissionais do Cine Teatro Luz revelam que já exibiram filmes para apenas uma única pessoa. As exceções ficam para os Longas de grande destaque na mídia. É o caso de Paixão de Cristo e Avatar, que fizeram as sessões lotarem. Outros filmes não agregam valores expressivos à bilheteria. O divertido Smurfs, cuja exibição encerrou no domingo após duas semanas em cartaz, levou apenas 167 expectadores para o Cine Luz e amargou uma bilheteria de valor inferior a R$ 700.
Para a Fundação de Cultura, falta investimento em tecnologia e mais audácia nas negociações dos filmes. Hoje, a maioria dos filmes é assinada pela Columbia. De União da Vitória, as negociações ocorrem com o escritório que fica em São Paulo. O trâmite é tranquilo, o pagamento envolve a metade do lucro da bilheteria, mas a empresa exige que a exibição inicial seja de três dias ininterruptos. “Como não temos agenda livre fica difícil trazer filmes porque a empresa exige estes três dias diretos de exibição”, explica a diretora administrativa da Fundação, Elaine Cochak. A Fundação ainda acredita que a negociação ainda é melhor: com outras companhias, o valor fica na faixa dos R$ 1.500 durante o tempo de exibição.
O valor dos ingressos também aparece como entrave. Barato, o investimento não é sinônimo de lucro. Hoje, adultos pagam R$ 5; crianças e jovens com carteira de estudante, R$ 3. Mesmo assim, a Fundação defende-se e aponta outros 14 filmes que estiveram em cartaz desde o início do ano. Em média, eles ficam em exibição entre duas e quatro semanas. Filmes mais conceituados ficam na telona por mais tempo. Foi o caso do Longa, Dois Filhos de Francisco, que ficou em cartaz por quase um mês. O Cine Luz endossa o programa Rede Luz de Cinema, do Governo de Estado, e precisa abrir duas sessões gratuitas à comunidade por semana.
Agenda lotada até 2015
Enquanto os filmes não são exibidos, o Cine Luz é a escolha preferida de entidades, faculdades e empresas. A agenda para eventos está cheia e, segundo a direção da fundação, segue assim até 2015. A chegada do final de ano trás formaturas e eventos e também engessam a exibição. Boa parte dos finais de semana fica comprometida e sem a sequência de três dias livres – como pede a Columbia, maior fornecedora de filmes para a cidade – não há como anunciar novidades no cartaz.
Pirataria também atrapalha

Os filmes lançados nos grandes centros só chegam às cidades interioranas com déficit nos prazos. Em União da Vitória, o intervalo entre o que era exibido na capital, por exemplo, e na cidade, já foi maior. Hoje, a média é de um a dois meses. “Mas neste tempo, as pessoas já assistiram o filme em DVD ou até na internet”, comenta o operador de projeção, Carlos Alberto Rosa. Mesmo assistindo filmes sem qualidade – há quem grave o filme do celular ou tablet e o replica na rede social – expectadores deixam de visitar o cinema por já ter sua curiosidade saciada.
Prefeitura aposta na inovação
Para o próximo ano, os investimentos começam com a transformação da Fundação em uma Secretaria. A medida garante a redução de custos, segundo o assessor de imprensa Luciomar Castilho, já que os setores de recursos humanos e contabilidade migram para o corpo administrativo da prefeitura. “O cinema também continua, mas já estamos fazendo um levantamento do que precisa ser feito nele. Os equipamentos precisam de ajustes e já está se cuidando disso também”, pontua.
Novidades começam neste mês
Além de mais investimento no cinema, a Fundação se renova ao trazer de volta para a Praça Alvir Riesemberg o projeto “Comunidade Fazendo Arte”. De acordo com o coordenador de projetos, Daniel Correia, ele vai acontecer aos sábados e leva para o espaço público dança, oficinas, música e poesia. O recomeço tem data marcada. “Será no dia 19, quando a CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) fará o sorteio da sua promoção”, anuncia Correia. Os eventos são abertos ao público e gratuitos.
Cine Luz
O anfiteatro foi restaurado pelo projeto Velho Cinema Novo, do governo de Estado e no final da década de 90, reestreou. O aclamado Titanic atraiu um grande número de expectadores que, além de estarem na onda promovida pela mídia sobre o Longa, visitou o espaço para conhecer as mudanças. Nas Cidades Irmãs, o Cine Luz é o sobrevivente de outros três cinemas. Os outros dois, o Cine Odeon e o Ópera, já extintos, eram cenários para encontros, namoros e diversão.
Em cartaz
Para saber o que vai estar em cartaz, a Fundação de Cultura mantém o Cine Luz no Facebook e atualiza nos jornais da cidade a programação. O cinema também age como vitrine e promove sua agenda.