Governo não garante realização da Copa América no Brasil e estabelece condições

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Atualizado há 5 anos

O vice-presidente Hamilton Mourão não considera um problema o Brasil ser sede da Copa América. O anúncio foi feito pela Conmebol, nesta segunda-feira, após a Argentina desistir da organização no domino à noite por causa dos elevadores números de covid-19 no país. No entanto, o governo Bolsonaro não garantiu a realização do torneio no País e estabeleceu condições, incluindo os atletas estarem vacinados.

“Vamos dizer o seguinte, que é menos…. Não é que seja mais seguro, é menos, é menos risco. Não é mais. É menos. O risco continua”, disse Mourão em entrevista coletiva. Ele considera seguro receber a competição. “Acho. Não tem público, né? Não tendo público não é problema. É só dividir bem essas sedes e acabou.”

O você de Jair Bolsonaro também afirmou não acreditar em manifestações contra a realização da Copa América, como ocorreram em 2013 antes da Copa das Confederações. “O povo está tranquilo”.

Mais tarde, porém, o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, afirmou que a condição estabelecida pelo governo brasileiro para o Brasil sediar a Copa América deste ano é de os jogos acontecerem sem torcidas e que todos os integrantes das delegações serem vacinados. Em entrevista no Palácio do Planalto, Ramos não deu como certo que o País vai receber a competição.

“Caso se realize (a Copa América no Brasil), ela não terá público. No momento são dez times. Já foi acordado com a CBF em reunião por videoconferência de no máximo 65 pessoas por delegação. Todos vacinados. Foi a condição que nós tratamos com a CBF”, disse o ministro.

De acordo com Ramos, apesar de a própria Conmebol, entidade responsável pelo torneio de seleções, ter anunciado o Brasil como sede, isso ainda não está definido. “Não tem nada certo, quero pontuar de uma forma bem clara, estamos no meio do processo, mas não vamos nos furtar a uma demanda caso seja possível de atender”, disse o ministro da Casa Civil.

O Brasil se torna sede da Copa América 2021 depois de Colômbia (problemas internos) e Argentina (pandemia) terem desistido de sediar o evento. O Brasil foi escolhido com o argumento de possuir estádios em boas condições de uso, apesar de estarem alguns ociosos após a Copa do Mundo de 2014. A CBF se ofereceu. Chile e Venezuela estavam no páreo. Uma reunião foi realizada virtualmente nesta segunda-feira com a participação dos dez representantes das confederações sul-americanas. O campeão vai receber R$ 52 milhões.

O anúncio gerou críticas por acontecer em meio a pandemia de covid-19. Ao longo do dia, governadores passaram a rejeitar a possibilidade de receber jogos do torneio em seus Estados. Rio Grande do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Norte já alegaram não ter condições de receber um evento desse porte em meio à pandemia do coronavírus.

O ministro da Casa Civil respondeu às críticas: “Por que o Brasil vai sediar a Copa América durante uma pandemia? Senhores, primeiro que foi uma demanda que foi realizada via CBF para a Conmebol. Outra coisa, estamos em plena pandemia, uma situação difícil, só que o campeonato brasileiro, ele envolve 20 times na Série A e 20 times na Série B. Ou seja, estão ocorrendo jogos em todo o Brasil”, disse o general.

A seleção brasileira está no Grupo B, ao lado de Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Como o Brasil virou país-sede, pode mudar seu grupo para A. A estreia da equipe de Tite estava marcada para o dia 14 (segunda-feira), contra a Venezuela.

“O torneio de seleções mais antigo do mundo fará vibrar todo o continente”, escreveu a Conmebol no anúncio oficial do Brasil como nova sede. Existe o interesse por parte da Conmebol que a final seja no Maracanã, com a presença de público. Isso ainda não foi aprovado. No Brasil, as partidas de futebol estão sendo jogadas com portões fechados.

POLÍTICOS CONTRÁRIOS À COPA AMÉRICA – O deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) informou nesta segunda-feira que pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) o cancelamento da Copa América no Brasil – pela manhã, a Conmebol anunciou que o País abrigará o evento.

“Estou entrando na Justiça contra a realização da Copa América no Brasil. Um absurdo! Trago mais informações ao longo do dia”, escreveu no Twitter.

O presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, conversou com o presidente Jair Bolsonaro, que apoiou a iniciativa de imediato. Também afirmou que teve o aval dos Ministérios da Casa Civil, da Saúde, das Relações Exteriores e da Secretaria Nacional do Esporte. Ele ainda acrescentou que o Brasil, mesmo com mais de 450 mil mortos pelo coronavírus, “vive um momento de estabilidade (em relação à pandemia).”

Já o vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), quer convocar o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, para prestar esclarecimentos sobre as medidas de segurança para a realização de partidas da Copa América no País. De acordo com o senador, “não temos a menor condição de sediar uma Copa neste momento de pandemia”.

“Sou amante do futebol, mas sou defensor da vida! Se o Presidente tivesse tido essa agilidade para responder à Pfizer como foi com a Conmebol, certamente poderíamos estar recebendo esse evento”, pontuou Randolfe em seu perfil no Twitter. Segundo ele, a realização das partidas seria “uma afronta às mais de 450 mil vidas que perdemos para a covid-19”.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), chamou a Copa América de “campeonato da morte”. “Com mais de 462 mil mortes sediar a Copa América é um campeonato da morte. Sindicato de negacionistas: governo, Conmebol e CBF. As ofertas de vacinas mofaram em gavetas mas o ok para o torneio foi ágil. Escárnio”, escreveu Renan nas redes sociais.

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