Por Therezinha Wolff
Recordando versos de Casimiro de Abreu em “Meus oito anos” inspiro-me para homenagear a “Rainha do Vale do Iguaçu”, ZYD3 – Radio União, de União da Vitória na passagem de mais um aniversário.
Dou ao poeta completa razão quando revela:
“Oh! Que saudades eu tenho
da aurora de minha vida
da minha infância querida…”
Mas, quando diz:
“à sombra das bananeiras
debaixo dos laranjais…”,
memorizo a sala de jantar da casa onde cresci.
Olhos atentos quais preciosas moedas ao pequeno móvel de madeira nobre, rádio tipo capelinha, em lugar de destaque e a voz da pioneira na radiofonia do Vale do Iguaçu, a terceira do estado paranaense.
Devo reconhecer, com o passar dos anos, tudo ou quase tudo o que vemos e ouvimos fica armazenado na memória, esperando para ressuscitar.
Às vezes não vemos as coisas como são, mas as imaginamos como queremos. Então sonhamos, sonhamos…
A Rádio União nos ofereceu essa possibilidade quando ainda nos verdes anos.
Ondas sonoras chegando de diferentes formas, dando liberdade para sonhar, criar, aprender a refletir.
Trazendo a bandeira da cultura nas alegres e descontraídas crônicas, nas poesias, no sentir da música como linha mágica, na aproximação das pessoas e entidades.
Curitiba e Ponta Grossa como artérias, fornecendo profissionais, mestres da locução, para a descoberta de valores locais e abrindo caminho para a vinda de cantores, bandas, e orquestras importantes, nacionais e internacionais, em apresentações feitas nos clubes e cinemas de União da Vitória e Porto União.
A discoteca variada, permitindo programas com todos os estilos de musica, incentivando ouvintes a homenagearem amigos e familiares em datas comemorativas.
As pessoas pedindo musicas, freqüentemente, colocavam à mostra seu gosto musical: tangos, valsas, sambas, boleros, sertanejos, clássicos, enfim, para todos os gostos.
Musicas carnavalescas, divulgadas com 3 ou 4 meses antes das festas momescas, permitindo ao folião decorá-las para cantar nos clubes e alegrar as ruas.
Indústrias e casas comerciais adentrando residências através das respectivas propagandas, gravadas em disco.
Políticos descobrindo o espaço ideal para as campanhas eleitorais, expondo seus planos ao vivo no estúdio.
A segunda Guerra Mundial, com notícias boas e às vezes nem tanto, no dia em que acabou, 1º de maio de 1945, enquanto bimbalhavam sinos, soavam apitos das indústrias e locomotivas ferroviárias, pelas casas ecoavam acordes da “Canção do Expedicionário” e a voz da ZYD3.
Enfim, vieram acontecimentos sociais, esportivos, cívicos e religiosos chegando ao ouvinte em tempo real, ou quase real, nada escapando da emissora.
A sociedade portouniãovitorense viveu tempos áureos a partir da década de 1940 sob a ênfase da Radio União, que hoje, atingindo sete décadas, superando percalços em certos períodos, pode comemorar, orgulhosamente, sua profícua existência.
Que falem melhor ainda aqueles que conviveram e convivem com essa bela jornada radiofônica, chegando à condição almejada de bem informar e divertir, preparada para o novo tempo da tecnologia na comunicação.