Para atender a demanda das montadoras Audi, Volkswagen e DAF/Paccar, o parque de fornecedores de peças, componentes e equipamentos do polo automotivo paranaense prevê mais R$ 1,4 bilhão em investimentos nos próximos anos. A previsão é do Sindimetal (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná). Somados aos investimentos das montadoras e da japonesa Sumitomo (fabricantes de pneus Dunlop e Falken), o Paraná vai receber, neste momento, mais R$ 3,6 bilhões destinados ao setor.
Se levar em conta os investimentos consolidados, nos últimos dois anos, de outras montadoras como a Renault (R$ 1,5 bilhão), Caterpillar (R$ 170 milhões), Volvo (R$ 900 milhões) e a Fiat, com fábrica de motor em Campo Largo (R$ 65 milhões), o montante nas duas pontas – fornecedores e produção – pode chegar a R$ 8,9 bilhões: R$ 4,1 bilhões das montadoras e mesmo valor dos fornecedores, mais R$ 750 milhões da Sumitomo.
Isto porque como explica o vice-presidente do Sindimetal, Nelson Hubner, a estimativa é para cada R$ 1 das montadoras outro R$ 1 é investido pelos fornecedores da cadeia. As três montadoras estão investindo R$ 1,4 bilhão na ampliação das unidades (Audi e Volkswagen) e no início da operação (Paccar/DAF). “Temos uma expectativa muito grande da entrada de novas empresas e da ampliação das fábricas existentes para suprir a demanda das montadoras”, afirma Hubner.
O vice-presidente do Sindimetal, órgão que representa três mil empresas em 80 cidades do Estado, elogia o trabalho do Governo do Estado para atrair investimentos com a construção de um cenário mais competitivo. “Sabemos das dificuldades em atrair empresas do setor automobilístico e de outros setores. E está claro o esforço do Governo em estabelecer um cenário melhor para os empresários paranaenses e de fora do Estado”.
Em pouco mais dois anos e meio, o programa Paraná Competitivo já atraiu ao Estado cerca de R$ 25 bilhões em novos investimentos que estão gerando mais de 150 mil empregos com carteira assinada em todas as regiões do Estado. “Esse trabalho de restabelecimento do bom ambiente para negócios envolve diversos setores do Governo e tem a participação decisiva do governador Beto Richa, que em muitas vezes participa pessoalmente das negociações”, reitera o secretário da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros.
Oportunidade
A chegada desses novos investimentos na área automobilística é vista também como uma grande oportunidade para empreendedores paranaenses. A avaliação é do presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço. “É uma grande oportunidade para que se capacitem e se organizem para atender a demanda dessa cadeia complexa de peças e componentes”.
Gilmar acrescenta ainda que a expectativa é que ocorra um impulso em diferentes índices da economia paranaense nos próximos anos. Ao comparar dados do período anterior a instalação das primeiras montadoras nos Estado (década de 90) com números atuais, o presidente do Ipardes é taxativo em afirmar “a indústria automobilista provoca uma verdadeira revolução nas economias onde ela se instala”.
Em 1997, as exportações paranaenses do setor representavam 4,7% do valor total, no ano passado esse número chegou a 12,1%. Nas importações o salto foi ainda maior, em 97 a compra de peças, materiais e componentes importados não passava de 0,6%, em 2012 esse índice chegou a 24,6%.
Já em 2007, a indústria automobilística representava 13% da renda industrial do Estado, hoje responde por 21%. “E esse incremento ocorreu em um período onde não foram atraídos novos investimentos do setor. Há um potencial enorme para crescimento nos próximos anos”, conclui Gilmar Mendes Lourenço.
Polo automotivo
Nos últimos 20 dias, quatro empresas do setor anunciaram investimentos ou inauguraram unidades no Estado. Na segunda-feira, 7, a Volkswagen confirmou que vai ampliar a fábrica em São José dos Pinhais para produzir o Golf geração sete. Serão investidos R$ 520 milhões na ampliação da linha de produção. A expectativa é de que sejam gerados de 400 a 600 empregos diretos.
Há cerca de três semanas, a Audi confirmou o retorno da produção de carros no Paraná, com um investimento de R$ 504 milhões para fabricar os modelos A3 sedan e Q3 (SUV). Juntas, Audi e Volkswagen vão investir mais de R$ 1 bilhão na planta de São José dos Pinhais.
Já na semana passada, a norte-americana Paccar apresentou o primeiro caminhão DAF produzido no Paraná, durante evento marcou o início da produção da marca no País, na fábrica de Ponta Grossa. A fabricante de pneus Sumitomo inaugurou em Fazenda Rio Grande a primeira base de produção do grupo fora da Ásia.
Aos novos empreendimentos se somam a Renault, Volkswagen, Volvo, Fiat, Catterpillar, Nissan, Case New Holland e ao amplo parque de fornecedores e fabricantes de peças localizado principalmente em Curitiba e Região Metropolitana.
Olho
Para cada R$ 1 das montadoras outro R$ 1 é investido pelos fornecedores
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Três mil novos empregos são abertos por fábricas
As novas fábricas do setor automobilístico vão criar mais três mil empregos diretos no Paraná. Os investimentos anunciados pelas montadoras Audi e Volkswagen, e as unidades da Paccar/DAF e da Sumitomo, que já estão em produção, somam R$ 2,2 bilhões. Os empreendimentos foram beneficiados pelo programa Paraná Competitivo, do Governo Estadual.
O governador Beto Richa afirma que a criação de empregos é o resultado mais almejado pela política de industrialização adotada pelo Governo Estadual. “Nosso governo tem como foco as pessoas. O esforço feito para fortalecer a economia e disseminar o desenvolvimento é para melhorar cada vez mais as condições de vida da população”, diz Richa. “É importante ressaltar que os jovens e trabalhadores têm de fazer a sua parte para aproveitar as oportunidades, buscando a qualificação”, afirma o governador.
A criação das novas vagas industriais gera um estímulo nas economias locais, aumentando tanto a poupança como o consumo. “Os novos empregos multiplicam o fluxo da renda. Em média, o salário do empregado da indústria é 40% superior ao dos setores de comércio e serviço”, afirma presidente Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) Gilmar Mendes Lourenço.
“O emprego industrial ativa o circuito de negócios e aumenta a capacidade de investimentos da região, na medida em que uma boa parte do dos salários vira poupança”, acrescenta Lourenço. Estudos técnicos apontam que para cada emprego direto criado no setor automobilístico, outros dez são gerados indiretamente, nas fornecedoras de peças e insumos, e também por meio do efeito renda (consumo privado do salário do trabalhador industrial).
Qualificação
O secretário do Trabalho, Luiz Claudio Romanelli, ressalta a importância do interessado em trabalhar no setor automobilístico se qualificar e aproveitar as oportunidades. “Nós vivemos em um mundo muito competitivo e quem não se qualificar vai ficar fora do mercado de trabalho. Hoje quem possui uma qualificação profissional tem um rendimento até 24% maior que aquele que não recebeu qualificação”, afirma Romanelli.
Segundo ele, os governos estadual e federal, as prefeituras municipais e entidades representativas do setor produtivo, como a Fiep, Fecomércio e o Sistema S (Senai, Senar, Senat) realizam um esforço conjunto para garantir a qualificação profissional dos trabalhadores.
Romanelli ressalta que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), tem milhares de vagas em uma grande variedade de cursos em todo o Estado. “O governador Beto Richa criou o Comitê Qualifica Paraná e realizamos 11 fóruns regionais de apoio à formação e qualificação profissional com participação de representantes de 340 municípios, reunindo mais de 3,5 mil pessoas, para divulgar o programa”, relatou.
O diretor-geral do Senai, Marco Secco, reforça que o setor exige mão de obra qualificada e preparada. Ele explica que o Senai já trabalha em parceria com a Paccar em Ponta Grossa e negocia ampliar a atuação com as outras empresas. “É um mercado seletivo. Os cursos técnicos e de aperfeiçoamento são chancelas para a entrada no mercado de trabalho”, afirma Secco.