Descolado do exterior, Ibovespa cai 0,48%, a 125.675,33 ptos

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Atualizado há 5 anos

Em dia de juros e dólar tendendo para baixo, com retomada de apetite por risco no exterior, o Ibovespa operou em via própria, alternando ganhos e perdas nas últimas seis sessões, que o mantêm agora, faltando apenas a sexta-feira para o encerramento do mês, na mesma casa de 125 mil pontos em que havia iniciado julho. Hoje, descolado de ganhos de até 0,44% em Nova York (Dow Jones), o índice da B3 fechou em baixa de 0,48%, a 125.675,33 pontos, entre mínima de 124.917,27 e máxima de 126.475,63, saindo de abertura aos 126.285,20 pontos.

Após ter ficado acima de R$ 30 bilhões ontem, o giro financeiro voltou a se enfraquecer, a R$ 27,9 bilhões nesta quinta-feira. Na semana, o Ibovespa avança 0,50%, limitando a perda de julho a 0,89% que, caso se confirme amanhã, será a primeira desde fevereiro – após retração no primeiro bimestre, o índice subiu de março a junho. No ano, o Ibovespa acumula ganho de 5,59%.

Hoje, o PIB abaixo do esperado para os Estados Unidos no segundo trimestre combinou bem com o tom ‘dovish’ de ontem do Federal Reserve, mantendo sobre a mesa o cenário de liquidez ampla que, temia-se, poderia começar a ser revertido na eventualidade de aquecimento econômico e da inflação. Aqui, a perspectiva ainda é de avanço para a Selic até o fim do ano – o Copom volta a se reunir na próxima semana -, o que afeta o apetite por ações, com o mercado optando nesta quinta-feira por realizar lucros à medida que bons resultados trimestrais, como os de Vale (ON -1,47%) e Ambev (ON -1,15%), vão se confirmando.

“Nomes de peso, como Vale e Ambev, operaram hoje em queda mesmo após a divulgação de resultados surpreendentes no segundo trimestre. Apesar de recorde, Vale trouxe números bem em linha com os que haviam saído no relatório de produção. Da mesma forma, Ambev, com segundo trimestre bem robusto, apresentando recuperação muito forte da receita líquida, mas o mercado está de olho nas pressões de custo, que afetaram bastante as margens da empresa – que depende de trigo, uma commodity dolarizada”, diz Victor Licariao, líder em produtos e alocação de renda variável da Blue3.

“O mercado hoje destoou do exterior, realizando no fato, ainda de olho nos bons resultados das empresas que vêm reportando, como os excelentes (números) apresentados pela Vale – sobe no boato, cai no fato. Em contrapartida, o setor siderúrgico, que estava um pouco depreciado com todos esses temores externos, teve uma reviravolta e hoje despontou, também com base em resultados a serem divulgados aí pra frente. Ontem, o setor de bancos subiu, com os resultados do Santander, e hoje realizou um pouco, em movimento natural”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, que acredita em melhora adiante.

Na ponta do Ibovespa, CSN ON fechou esta quinta-feira em alta de 5,62%, à frente de Multiplan (+5,36%), de Iguatemi (+3,27%) e de Usiminas (+3,22%). Na face oposta, Pão de Açúcar cedeu 7,40%, Cogna, 2,88%, WEG, também 2,88%, e Totvs, 2,50%. Entre as blue chips, Petrobras PN subiu 0,36% e a ON cedeu 0,39%, enquanto a realização de lucros prevaleceu entre as ações do setor financeiro, com destaque para Banco do Brasil ON (-1,58%), Bradesco PN (-0,96%) e Unit do Santander (-1,44%).

“Há uma correção natural no curto prazo, com muitas questões pendentes para agosto, como as reformas no Congresso e a definição do Bolsa Família, tanto em valor como em número de beneficiários. O cenário é favorável para este semestre, com IPOs que tendem a trazer fluxo externo de volta para as ações, além da retomada econômica, que deve ganhar fôlego com a sinalização da suspensão de restrições sociais a partir de agosto, favorecendo o desempenho de ações como as do setor de varejo físico”, diz Thiago Loiola Reis, diretor da mesa de renda variável do Prosperidade, escritório ligado ao BTG Pactual.

O dólar emendou nesta quinta-feira (29) o segundo pregão consecutivo de queda firme, acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda americana, em dia marcado por apetite ao risco. Analistas afirmam que a aposta em alta mais pronunciada da taxa Selic e a perspectiva de manutenção de liquidez global farta nos próximos meses – propiciada pelo tom ameno do Federal Reserve ontem e reforçada, hoje, pelo resultado aquém do esperado do PIB dos EUA no segundo trimestre – abrem uma janela para apreciação do real no curto prazo.

A taxa Selic mais gorda aumenta a atratividade da renda fixa brasileira e pode estimular os exportadores a internalizar mais recursos. Também conta a favor do real nas próximas semanas a possibilidade de elevação do fluxo externo de recursos para ofertas de ações na B3, que, até o momento, tem sido em sua maior parte absorvida por investidores locais. Com esse pano de fundo, já há quem veja a possibilidade de o dólar furar o piso de R$ 5, caso não haja solavancos do lado político.

Hoje, o dólar rompeu R$ 5,10 já na abertura e, no início da tarde, chegou a furar o piso de R$ 5,05, ao descer até a mínima de R$ 5,0422. No fim da sessão, a moeda americana era negociada a R$ 5,0792, em queda de 0,60%, levando a desvalorização na semana a 2,52%. É o menor valor de fechamento desde 2 de julho. Apesar do tombo recente, o dólar ainda acumula alta de 2,13% em julho. Amanhã, é dia de formação da última Ptax do mês, o que pode exacerbar a volatilidade da moeda.

A economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, vê uma janela favorável para o real no curto prazo, na esteira de entrada de dinheiro para aproveitar o diferencial de juros – com eventual alta de 1 ponto porcentual da Selic em agosto e sinalização de outra elevação de 1 ponto na sequência – e manutenção de um ritmo forte de exportações. “No quesito crescimento, apesar de cerca moderação na margem, o Brasil está em vantagem em relação a outros países, o que também favorece a moeda”, afirma.

Outro ponto que deve ser observado é a dinâmica do câmbio contratado. A economista destaca que no segundo trimestre os exportadores deixaram cerca de US$ 7 bilhões no exterior, mesmo com a Selic já mais elevada. “Não é possível saber se o exportador vai alterar sensivelmente sua forma de atuar. Mas faz sentido trazer um pouco mais de recursos se a Selic subir 100 pontos-base (1 ponto porcentual)”, pondera.

Para o economista-chefe Instituto Internacional de Finanças (IFF), Robin Brooks, os mercados sabem que a redução de estímulos nos Estados Unidos não virá em breve, o que dá impulso às moedas emergentes, “especialmente onde os bancos centrais estão subindo os juros, caso do Brasil”. Brooks ainda vê o real 15% abaixo de seu valor justo, de R$ 4,50. “Os estrangeiros estão entusiasmados. O que é necessário para que os brasileiros fiquem um pouco menos negativos com seu próprio País…”, escreve Brooks no Twitter.

Damico, da Armor, vê espaço para que o dólar fure o piso de R$ 5 no curto prazo, mas não acredita em taxa de câmbio na casa de R$ 4,60 ou R$ 4,50. No médio prazo, observa a economista, a tendência é de a moeda americana subir e encerrar o ano em R$ 5,30. Ela argumenta que ao aumento de remessas de lucros e dividendos, evento típico de fim de ano, vão se somar uma balança comercial menos exuberante e a liquidação da segunda parte do overhedge dos bancos. E isso vai acontecer justamente no momento em que o debate sobre o ‘tapering’ estará a pleno valor, o que pode dar fôlego à divisa dos EUA.

“As pessoas também vão começar a olhar mais para os riscos eleitorais. Isso tudo torna o fim de ano um pouco mais difícil para a moeda”, afirma a economista da Armor, lembrando também que ainda existem dúvidas também em torno do impacto da reforma tributária sobre as remessas de lucros e dividendos.

Os juros futuros corrigiram parte da forte adição de prêmios vista nos últimos dias e fecharam em baixa, mais pronunciada nos vencimentos intermediários, justamente os que mais vinham subindo desde o começo da semana.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 6,20%, de 6,265% ontem no ajuste, a do DI para janeiro de 2023 caiu de 7,69% para 7,56%. O DI para janeiro de 2025 fechou com taxa de 8,36%, de 8,455% ontem, e o DI para janeiro de 2027, com taxa de 8,72%, de 8,76%.

O clima de apetite ao risco no exterior e o dólar em queda acabaram por estimular um ajuste na curva, assim como o IGP-M de julho abaixo da mediana das estimativas.

O IGP-M subiu 0,78% em julho, bem abaixo da mediana das estimativas coletadas pelo , de 0,90%, com destaque para os preços do atacado agrícola, que aprofundaram a deflação (-0,90% para -1,33%).

Mesmo diante dos riscos representados pela crise hídrica e da possível redução da oferta de alimentos em função das geadas, o coordenador de índices de preços da FGV, André Braz, prevê para o segundo semestre variações do indicador muito abaixo das observadas em igual período de 2020.

No fim da tarde, o mercado ensaiou uma piora após o resultado do governo central do mês passado, que trouxe déficit primário de R$ 73,5 bilhões, ante mediana de saldo negativo de R$ 66,4 bilhões. O número também é pior do que a mediana das expectativas do Prisma, de déficit de R$ 56,9 bilhões.

O resultado foi impactado por questões como a antecipação do 13º de aposentados e pensionistas, que foram pagos em maio, junho e julho neste ano, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt.

O leilão de prefixados teve lotes e risco menores do que o anterior de mesmos vencimentos, sem exercer pressão sobre a curva.

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