Por Vanderlei Woytowicz
Não me escandalizo por pouco, apenas pelo necessário. Roupas caras e sapatos de marca não me convencem, sei que debaixo desse pano todo e dessas solas duras tem um ser um tanto quanto inseguro que às vezes precisa disso para ser e fingir ser quem não é, com um cérebro murcho e sem expectativas, apenas de querer comprar mais, mais, e estourar os limites do cartão. Estourar a conta bancária e um vinho chileno à noite você faz bem, pudera eu estourar a miséria e os desgostos da vida, faria bem melhor para quem precisa.
Tem muita gente “inha” por aí. Bonitinha, cheirosinha, gostosinha, chatinha e fora da casinha. Não precisamos nos contentar com diminutivo de nada, a vida é grande demais pra isso, quero os dias no maior dos êxtases, quero pra ontem, quero já. Tem gente que é feliz com quilos de maquiagem no rosto, tem quem procure a felicidade nos bolsos dos outros, sem contar aqueles que são felizes pela infelicidade alheia, não entendo muito bem e não quero fazer parte desse ciclo enjoativo.
O mundo nos encaixota e faz com que sejamos quadrados, para ver, vestir e sentir, sorte sua se sair antes da caixa ser lacrada. Produzimos o que a mídia, as agências e os outros querem que seja produzido: futilidades e um desamor pelo o que é fora do padrão, para você que segue a risca as dicas de quem acha que sabe, chega pra cá e ouve mais de perto: parte do mundo nem sabe que você existe. Você vive no mundo que escolheu, vive na felicidade que se prendeu, vive no diminutivo que apontou ser o melhor, torço pra que as coisas ditas mais ou menos não me persigam, não me encontrem e não façam parte da vida que eu escolhi ter. Caso o mais ou menos esbarre comigo, cumprimento, dou um beijo de leve, e vou embora, até porque não dá para ficar perdendo tempo com qualquer coisa.
Quero o prazer da vida em maiúsculo, quero poder ver de cima o mundo que me vê, quero ser o mundo de alguém, quero mudar o mundo, quero tanto que o pouco dos outros mal me comovem, não arranham nem mesmo as minhas decisões, sorte minha e sorte sua que não se deixa a mercê de quem não é nada a não ser um amontoado de fezes que cheira mal. Não existe nada que diga qual é a melhor maneira de viver a vida. Mas a minha vida, quero no verbo crescer, no verbo maior, no aumentativo de tudo que for bom, que preencher os vácuos causados pela falta daquilo que aceitamos sendo um nada. Eu quero muito, e não aceito mais o pouco de ninguém.
Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União