Bronze nas Olimpíadas de 2012 e 2016, o judoca Rafael Silva terminou sua participação em Tóquio apenas na sétima colocação. Na disputa da repescagem na categoria pesado (acima de 100kg), o brasileiro foi derrotado pelo francês Teddy Riner, em apenas 45 segundos de luta. Se vencesse, Rafael iria disputar mais uma vez a medalha de bronze.
“O Teddy, a gente luta desde que eu comecei nas categorias de base. É um atleta que eu tenho bastante dificuldade, a força dele incide bastante sobre meu judô. Mas fiz meu máximo, busquei ganhar a pegada, mas infelizmente não consegui”, disse Rafael em entrevista ao SporTV após a luta. “A gente traçou com a Yuko (Fujii, treinadora) e o Jun (Shinohara, coordenador técnico da seleção masculina) de ir com a pegada cruzada e evitar dele pegar na manga. Mas, infelizmente, quando ele conseguiu pegar, fez o golpe, o mesmo que tinha usado em outras lutas, e era uma situação difícil de reverter.”
Apesar dos 181,5 quilos de peso, Rafael, medalhas de prata (2013) e bronze (2014 e 2017) em Campeonatos Mundiais, foi projetado por Riner, que, após o wazari, ainda conseguiu pegar o braço do brasileiro para finalizar a luta com ippon.
Rafael fez mais duas lutas em Tóquio. A estreia foi complicada, com vitória sobre Ushangi Kokauri, do Azerbaijão, no golden score. A primeira derrota veio nas quartas de final frente ao georgiano Guram Tushishvvili, após três punições. “Competição difícil. Eu sabia pelo quadrante em que fiquei no sorteio que eu teria dificuldade com o georgiano. Senti bastante a questão de volume de pegada, ele se desvencilhando o tempo todo e eu não tive a oportunidade de botar muitos golpes.”
Aos 34 anos, o atleta ainda não sabe se vai prosseguir na carreira como atleta olímpico. “Não deu tempo de pensar ainda no próximo ciclo olímpico. Três anos é muita coisa, vou fatiar, ver ano a ano como vai ser todo o processo. Mas preciso primeiro digerir esse dia difícil e pensar com calma, junto com meu clube (Pinheiros), como vai ser essa caminhada. Ano que vem primeiro, vai ter o Mundial de Tashkent.”
FEMININO – A judoca Maria Suelen Altheman está fora dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Em um comunicado oficial, a Missão Brasileira em Tóquio 2020 e a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) informaram, nesta sexta-feira, que a atleta sofreu lesão no ligamento patelar do joelho esquerdo e não integrará a equipe mista do Brasil nas lutas previstas para este sábado. Ela precisará passar por cirurgia no retorno ao Brasil.
A contusão ocorreu no combate de quartas-de-final do peso pesado feminino contra a francesa Romane Dicko, realizada nesta sexta-feira. Após ser avaliada pelo médico da equipe de judô, Guilherme Garofo, ainda no tatame, a atleta foi encaminhada para a realização de exames de imagem na Policlínica da Vila Olímpica, que confirmaram a lesão no ligamento patelar. Ela encerra sua terceira participação olímpica na sétima colocação.
“A Maria Suelen me ligou, chorando bastante, triste. Dói muito. Falando que teria chance mesmo com a derrota”, disse o consultor dela e duas vezes medalhista olímpico, Leandro Guilheiro, ao SporTV.
Sem Maria Suelen, a equipe de judô pretende utilizar a meio-pesado Mayra Aguiar em seu lugar para as lutas deste sábado. As disputas por equipes, prova inédita em Jogos Olímpicos, serão no mesmo horário das individuais, às 23h e às 5h. O Brasil, como cabeça de chave, sai de bye na primeira rodada e aguarda o vencedor do duelo entre Uzbequistão e Holanda. A escalação da equipe para o primeiro confronto será anunciada meia hora antes dos combates.