“Satisfeita por saber que mesmo depois da tragédia ele continua sendo um herói”
Depoimento emocionado de Silvia Barbusa conta como foi a decisão da família em doar órgãos. Transplante aconteceu nesta quinta, 5, no Hospital São Braz em Porto União
Da Redação
07/08/2021 - 17h26 · Atualizado há 5 anos
Nas redes sociais amigos e familiares de Luis Roberto Barbusa, não pouparam elogios por sua passagem rápida aqui na terra. No auge de seus 32 anos Nino como era conhecido por todos, sofreu um acidente de trabalho na segunda-feira, 2, na Colônia Aquiles Stenguel interior de Porto União.
Naquele dia, o serviço era na propriedade de um tio, próximo a sua morada.
“Ele era uma pessoa muito trabalhadora, nunca ficava parado, sempre estava aqui e ali fazendo algo”, lembra Silvia Barbusa companheira de Nino há quase 11 anos e mãe de seus dois filhos.
O acidente
Nino estava cortando eucaliptos quando o galho de uma outra árvore o atingiu. Até agora a família busca entender o surgimento deste outro galho.
“Ele era experiente nisso, fazia há muitos anos esse tipo de serviço. Ele era muito cuidadoso quanto a isso, sempre que ia derrubar alguma madeira olhava pra ver se não tinha nada enroscado”, lembra Silvia.
O acidente foi por volta das 11h30. Um áudio enviado a um grupo o qual a família faz parte, pedia ajuda e contava o que tinha acontecido.
Silvia ouviu o pedido, correu até a casa do sogro, e os dois foram até lá, sabendo do serviço que Nino estava fazendo da propriedade. Ela lembra que ficou na estrada sinalizando para ajudar o Corpo de Bombeiros encontrar o local.
Quando ela chegou, o desespero foi total, Silvia viu seu marido gravemente ferido. “Sai correndo pedindo para que alguém tirasse ele logo dali”.
O Corpo de Bombeiros de Porto União foi até lá, fez o primeiro atendimento e encaminhou Nino até o Hospital São Braz.
Silvia foi atrás no carro com uma prima. Mais tarde, por volta das 16h daquela segunda-feira, 2, a família foi informada da morte encefálica.
“ Foi aí que meu mundo desabou ,fiquei sem chão, sem rumo, sem prumo. Pois ele era tudo na minha vida era meu alicerce”, conta a esposa emocionada.
Ainda naquele dia mais tarde, em casa, a família conversou sobre a doação dos órgãos. “De imediato todos foram a favor, o pai, a mãe e a irmã”.
Com a autorização da família o hospital fez os procedimentos necessários, e na quinta-feira, 5, as 15h a cirurgia começou.
” Estou triste por ter perdido uma pessoa extraordinária, mais me conforta em saber que o coração dele bate em outro corpo, não só o coração está vivo mais outros órgãos, satisfeita por saber que mesmo depois dessa tragédia ele continua sendo um herói”.
Nino, Silvia e os filhos Foto: acervo pessoal
A família também achava que a doação de órgãos era algo muito comum. “Nós não imaginávamos que seria a primeira captação de coração, fiquei espantada com a notícia não só eu, mais a família toda”, comenta.
O coração foi enviado para Curitiba e os demais órgãos – rim direito e esquerdo, pâncreas, córneas e pulmão foram encaminhados para Florianópolis e Navegantes.
Morte encefálica
É a definição legal de morte. É a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro. Isto significa que, como resultado de severa agressão ou ferimento grave no cérebro, o sangue que vem do corpo e supre o cérebro é bloqueado e o cérebro morre.
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