SP iniciará 3ª dose dia 6; ministro liga oferta de doses a cronograma federal

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Atualizado há 5 anos

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou na quarta-feira, 25, que a aplicação da terceira dose da vacina contra covid-19 será iniciada no dia 6 de setembro para idosos acima de 60 anos que já tenham completado seis meses da segunda dose. Mais cedo, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse que a vacinação federal começará no dia 15, com foco no público acima de 70 anos e imunossuprimidos, e alertou depois que Estados que não respeitarem a “soberania” do Programa de Nacional de Imunização (PNI) correm o risco de ficar sem doses.

Doria negou que o anúncio paulista tenha qualquer relação com a divulgação de datas pelo Ministério da Saúde. “Há quatro semanas, o Comitê Científico discute o tema da terceira dose. Não é uma decisão de agora ou de última hora só porque o ministro fez ou deixou de fazer”, afirmou. “Eu aplaudo todas as iniciativas, seja de quem for, para vacinar mais. Não estamos numa competição. É uma corrida pela vida.”

Questionado sobre seu posicionamento contrário à terceira dose semanas atrás, o governador de São Paulo confirmou sua mudança de posição. “O enfrentamento da pandemia é diário. Decisões de hoje não são as decisões de ontem. A própria ciência modifica suas posições de acordo com a evolução e a involução da pandemia.”

João Gabbardo, coordenador executivo do Comitê de Saúde da Covid-19, adiantou que “a marca da vacina utilizada na terceira dose será aquela que estiver disponível”. “A vacina que foi oferecida primeiro e atendeu a população mais suscetível foi a Coronavac. A maioria utilizou Coronavac. Nos outros países, isso está sendo feito com outras vacinas.”

Por outro lado, a Coronavac não fará parte vacinação de reforço na ação do governo federal. A terceira dose a ser aplicada deve ser preferencialmente de Pfizer, Janssen ou AstraZeneca. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, classificou a atitude como um ataque ao governo estadual. “Esses ataques à Coronavac não são novidade. Convivemos com eles diariamente, ataques que vêm do governo federal, especialmente do presidente e agora do ministro. Não há fato científico que sustente a decisão do ministro Queiroga. É mais uma vez a preferência por atacar a Coronavac”, disse.

Conforme o Plano Nacional de Vacinação contra a covid-19, o grupo de imunossuprimidos deverá ter prioridade também e inclui indivíduos que passaram por transplante de órgão sólido ou de medula óssea, pessoas que vivem com HIV e CD4 10 mg/dia ou recebendo pulsoterapia com corticoide e/ou ciclofosfamida. Ainda engloba pessoas que usam “imunossupressores ou com imunodeficiências primárias; pacientes oncológicos que realizam tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses e neoplasias hematológicas”. “Entre os imunossuprimidos, a área com pior resultado são os transplantados. Essa é a nossa prioridade. Eles precisam de uma atenção maior”, afirmou Gabbardo.

Em São Paulo, o cronograma de vacinação será semelhante ao aplicado nas fases iniciais, seguindo o critério cronológico. Serão imunizados inicialmente os idosos acima de 90 anos e assim sucessivamente. O cronograma detalhado ainda será divulgado.

Regiane de Paula, coordenadora do Plano Estadual de Imunização, disse que não será necessário um novo cadastro. “Todos que receberam as duas doses já estão no Vacina Já. Quando liberarmos um novo cronograma, as pessoas vão procurar a Unidade Básica no período estabelecido.”

As pessoas vacinadas são aquelas que já completaram seis meses da segunda dose. Idosos acima de 60 anos que ainda não completaram seis meses desde a segunda dose devem aguardar que o período se complete. “É uma questão técnica. É a partir do sexto mês que ocorre queda da imunidade. Não teria sentido vacinar as pessoas com essa dose adicional antes”, explicou Gabbardo.

Em Brasília, Queiroga frisou que “se cada um quiser criar um regime próprio, o Ministério da Saúde, lamentavelmente, não terá condições de entregar doses de vacinas”. “Temos de nos unir para falar a mesma língua. E não adianta falar na imprensa ou ir na Justiça, porque o juiz não vai assegurar dose que não existe. O que queremos aqui é que nossa campanha siga de maneira equânime. O Brasil é uma só nação, um só povo.” A reação foi interpretada como um recado para Doria e para outros governantes que foram ao Supremo Tribunal Federal cobrar o envio de mais imunizantes.

“Não adianta um Estado vacinar com 18 anos e outro com 30. Não dá pra fazer assim. Se a gente decide aqui que profissionais da saúde, neste momento, não serão contemplados com a dose de reforço, não vale uma demagogia vacinal de Estado ‘A’ ou ‘B’ dizer que quer aplicar doses nesses trabalhadores”, afirmou na presença de representantes do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde Estaduais (Conass). “Essa foi a recomendação que recebi do presidente da República. Fazer política de saúde e não fazer política na saúde.”

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