Estiagem derruba agro e projeção é de cenário ainda pior

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Atualizado há 5 anos

A retração de 2,8% no Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano, traz os primeiros impactos da estiagem, mas o pior ainda está por vir. Com a seca, já houve revisões para baixo nas projeções para a safra agrícola de 2021, especialmente por causa da produção de milho. Diferentemente do primeiro trimestre, quando a agropecuária, entre outras atividades exportadoras, foi um dos motores da recuperação, não será possível contar muito com o campo para impulsionar a economia até o fim do ano.

“Os números do segundo semestre do ano serão marcados pelos efeitos da seca em culturas como a cana-de-açúcar, o café, mas, sobretudo, o milho”, disse José Carlos Vannini Hausknecht, sócio diretor da consultoria MB Agro.

No início do ano, as perspectivas de mais uma safra recorde sustentavam as apostas de que o agronegócio, que já tinha ficado mais ou menos imune à pandemia em 2020, seria um dos motores da retomada em 2021. A alta nas cotações das “commodities” (matérias-primas com negociação internacional) agrícolas estimulou investimentos em tecnologia, maquinário, insumos e no plantio de grãos. No primeiro trimestre, o PIB da agropecuária saltou 6,5% ante o quarto trimestre e avançou 5,2% sobre os três primeiros meses de 2020, impulsionado pela supersafra de soja.

O grão foi colhido, só que as chuvas não vieram. A estiagem já se fez sentir no segundo trimestre, mas em menor grau, conforme Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O pior está por vir porque a produção de milho, que já pesou negativamente na comparação do desempenho da agropecuária com o segundo trimestre de 2020, não é uma cultura de destaque nesses períodos. A maior parte da produção no Brasil é colhida no segundo semestre, na chamada segunda safra – que já foi chamada, no passado, de “safrinha”, mas, atualmente, é superior à primeira safra.

“Para o segundo semestre, o clima é a maior preocupação. Acompanhamos com receio os possíveis impactos do clima sobre a safra 2021/22 com seca no Centro-Oeste e a questão hídrica dos reservatórios, que vai aumentar o custo de produção especialmente de aves e pecuária de leite”, disse o coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato Conchon.

Conforme o IBGE, o desempenho negativo da produção de café, na comparação do segundo trimestre deste ano com igual período de 2020, também pesou. Os campos de café foram atingidos pelas geadas, mas não foi esse o principal motivo para a contribuição negativa. O ciclo do café é mais longo, passa de um ano. Assim, as safras são marcadas por ciclos bienais, ou seja, anos de forte produção são seguidos por anos de produção mais fraca. Neste ano é de produção mais fraca – em 2020, a safra de café atingiu recorde histórico.

“A crise hídrica vai afetar a taxa de crescimento do PIB da agropecuária no ano. Se olharmos o segundo trimestre contra o primeiro, não tem tanto a ver. Se olharmos no ano, é lógico que a agropecuária será prejudicada pelas condições climáticas”, afirmou Rebeca.

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