Remédio para todas as horas

Artesã enfrenta desafios sem perder o sorriso ou largar pinceis e agulhas

·
Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

Artesã
Miriã já prepara as peças com motivos natalinos: trabalho aumenta nas datas festivas

No alto de seus 47 anos, Miriã Lopes Tonkio esbanja vitalidade. Suas expressões tão joviais e serenas quase anulam suas histórias, marcada por perdas, uma aposentadoria precoce e, mais recentemente, um transplante renal. Miriã encara o passado com um sentimento feliz e garante que foi com o artesanato que encontrou mais força e uma ocupação saudável para a mente. “Isso já vem de berço. A vó fazia trançados com canudos, fazia bolsas. A mãe fazia bordados, pintava. Eu aprendi com minhas amigas, em cursinhos e sempre tinha vontade de fazer”, sorri. A vontade era tanta que mais jovem, ainda em idade escolar, Miriã reprovou por se dedicar com exclusividade ao que aprendia nas aulas de crochê.

A artesã mora em uma aconchegante casa de madeira, no Bairro São Francisco, em Porto União. Boa parte do tempo fica na cozinha. A mesa onde faz as refeições com o marido, é também seu local de trabalho. Tudo é muito organizado e limpo. As peças chamam a atenção mesmo de longe. “Procuro colocar qualidade em tudo o que faço”, diz. O empenho é a resposta ao incentivo que recebeu de quem, há muitos anos, percebeu seu dom natural para os trabalhos manuais. “Minhas amigas me ajudaram muito e compraram os novelos de lã quando eu participava do Clube de Mães, em Santa Rosa. Minha primeira blusa de lá é uma das minhas principais produções”, lembra.

Artesã 2
A toalha da Ester: produção vai para Nova Iorque

Tricô, crochê e bordados são apenas algumas das habilidades. Com as mãos, Miriã é capaz até de arriscar-se em trabalhos até então desconhecidos. Foi o que aconteceu quando, de repente, uma tela à óleo saiu de suas mãos. “Confesso que não gostei muito da técnica porque gosto de ver os resultados logo e a pintura tem seu tempo, exige mais paciência”, diz, com modéstia diante de um quadro que poderia passar facilmente pelo julgamento dos críticos da área.

A artesã, que tinha o amor pelo trabalho manual apenas como passatempo, encontrou nele sua força. Há seis anos, quando precisou parar de trabalhar por conta de uma complicação renal, ocupou o tempo e os pensamentos com as tramas de fios, agulhas e tintas. “Aposentada, em casa, comecei a fazer mais artesanato”, conta. O empenho já lhe deu bons frutos. Algumas de suas peças viajaram para muito longe. “Tenho um jogo de toalhas indo para Nova Iorque e um pano de prato de Natal foi para o Japão”, diz, com orgulho. Mais do que beleza, Miriã garante que coloca em cada traço sua paixão pelo que faz. “Eu adoro e sempre tenho vontade de aprender mais, de conhecer outras técnicas, de fazer outras coisas”, afirma.

Mudança de conceito

As complicações renais também trouxeram lições para Miriã. Contra a doação de órgãos, ela precisou de um transplante para devolver ao organismo suas condições normais. “Eu tinha até escrito nos documentos que não era doadora e um ano depois, precisava de um rim”, conta. Até receber a doação, Miriã enfrentou semanalmente as sessões de hemodiálise. Em três anos, teve seu perfil compatível com um doador. “Recebi o rim de uma pessoa já falecida. Fiquei 23 dias no hospital e acabou dando certo”, sorri.

A artesã é hoje uma das ativistas em prol da doação de órgãos e garante que o período hospitalar e a dependência do próximo para ter melhores condições, mudaram sua maneira de encarar a vida.

Onde encontrar os produtos?

Além de atender encomendas, as peças de Miriã estão na Arte do Porto, na Rua Sete de Setembro, em Porto União.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!