Artigo: A importância dos rituais no Dia de Finados

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Atualizado há 11 anos

A importância dos rituais no Dia de Finados para quem perdeu alguém que ama

Por Daniele Jasniewski 

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Daniele Jasniewski

Rituais são atividades simbólicas que nos ajudam, ao lado de nossas famílias e amigos, à expressar os mais profundos pensamentos e sentimentos sobre os mais importantes eventos que precisamos vivenciar. O Batismo celebra o nascimento de uma criança. Festas de aniversário homenageiam a passagem de outro ano na vida de alguém. Cerimônias de casamento afirmam publicamente o amor dividido entre duas pessoas.

Os rituais fúnebres, também, são meios tradicionais e simbólicos de expressar publicamente nossas crenças, pensamentos e sentimentos sobre a morte de alguém que amamos. Independente da religião da pessoa falecida, ou da pessoa que vivencia o luto, os rituais possuem um caráter preventivo que asseguram que depois de passado o tempo que caracteriza o luto normal (quatro estações, ou seja, 12 meses) a pessoa enlutada poderá manter sua qualidade de vida apesar da dor vivenciada.

O período do velório, o sepultamento, as cerimônias de sétimo dia, um mês, um ano e as visitas ao cemitério nos ajudam na compreensão da nova realidade que somos “forçados” a encarar. Esses rituais são importantes, pois encorajam a expressão do luto, fornecem suporte aos enlutados e estimulam a reflexão sobre nossa fé, nossos valores, nossas crenças sobre a morte, e principalmente nos convidam a refletir sobre a vida, a vida de quem se foi, e, sobretudo acerca da maneira como nós vivemos nossa própria vida.

Infelizmente, nossa cultura do “evitar o sofrimento” tem contribuído para o esquecimento dos propósitos e significados de todos esses rituais. A nítida tendência imediatista que estamos vivendo, não permite que percamos tempo sofrendo, e somos constantemente pressionados com frases do tipo: “A vida continua!” – “Você tem que reagir!” – “Seja forte!”

Quem passou pela perda de alguém que ama sabe que a vida não continua, pois a vida como a conhecíamos, acaba no momento em que perdemos alguém, e depois o que fica, é uma outra vida, não mais aquela. Então, não, a vida não continua, porque uma boa parte de nós também morre. Somos empurrados para uma transformação em todos os aspectos de nossa vida. Não quero dizer que essa nova vida tenha que ser sempre dolorosa, porque acredito na capacidade de resiliência de todos os seres humanos, e mesmo convivendo com os sentimentos resultantes da perda, é possível experimentar a aceitação, reorganizar-se e manter a qualidade de vida.

Como psicóloga para situações de perda e luto, tenho profundamente me preocupado com indivíduos, famílias e com a sociedade como um todo, que não se permitem vivenciar os rituais relativos à morte. Qualquer atividade dedicada à memória de quem perdemos, nos fornece (a médio e longo prazos) a sensação de consolo e aceitação que tanto precisamos quando enfrentamos a dor pela morte de alguém que amamos.

Costumo dizer que ações como ir ao cemitério, o ofertar de velas e flores, as orações, ou outros ritos que variam de acordo com a tradição de cada religião, são extremamente saudáveis para nós mesmos. Sofrer, chorar, relembrar, sentir todas as sensações que acompanham a perda, nos ajuda em nosso processo de recuperação e cicatrização da ferida em nossa alma. É um paradoxo. Um mal que precisamos viver agora que irá nos fazer bem no futuro.

Dessa forma, o dia de Finados além de tradicionalmente ser um dia onde relembramos nossos entes queridos que morreram, é também uma oportunidade para cuidarmos de nossa saúde emocional, o que certamente irá refletir em nossa saúde física. Viver nosso luto e não fingir que ele não existe, nos oferece suporte e força para aguentar e continuar. Então, a dor torna-se suportável, não porque ela enfraqueceu, mas sim, porque nós mesmos nos fortalecemos!

 

Daniele Jasniewski

Psicóloga CRP 08/12483

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