O dom da transformação

Lâminas de madeira viram obra de arte nas mãos de Gilberto Carrer

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Gilberto Carrer é paulista e segue os passos dos avós: madeira sempre esteve por perto

No desenho pronto, é difícil encontrar onde começa uma peça e termina outra. Interligadas, as lâminas de madeira entram em harmonia e na mescla de cores e texturas, revelam uma nova composição. Paisagens, mandalas e até releituras da Santa Ceia são possíveis. “Quase tudo é possível”, sorri o artesão Gilberto Carrer. Aos 58 anos, o paulista que adotou Porto União como sua casa, tem na marchetaria sua diversão. Mas, com responsabilidade, é dela também que retira seu sustento e a ajuda para manter em uma situação confortável sua família.

O destino não reservou outro caminho. “Já tenho isso no DNA. Meu pai era um executivo em São Paulo e deixou tudo para trabalhar com a marchetaria”, conta. O cronômetro precisa ser um pouco mais atrasado. “Na verdade, meus avós, dos dois lados, eram da marcenaria. O tempo passou e acabamos todos indo cortar madeira”, sorri.

A marchetaria entrou oficialmente na vida de Carrer quando ele tinha 30 anos. Com o avó e pai, aprendeu muito, porém foi sua própria vontade o que lhe garantiu mais conhecimento. Com poucos recursos disponíveis e diante de uma lacuna de informação sobre a técnica, Carrer testou seus limites. “Encontrei em São Paulo um único livro que falava sobre marchetaria. Era em francês. Precisei comprar um dicionário e levei oito meses para traduzir as mais de 500 páginas da obra”, lembra. “Gostei e decidi que era isso o que eu queria fazer”, sorri.

Carrer montou um pequeno ateliê em São Paulo, perto do trabalho do pai. Em pouco tempo já era o responsável pelos trabalhos mais delicados, que exigiam tempo e paciência. Aliás, a virtude é defendida como bandeira pelo artesão. “Ela é primordial. A marchetaria não pode ser algo que estresse. Tem que ser uma terapia. É preciso gostar”, ensina. O aperfeiçoamento nas técnicas lhe garantiu uma vasta carta de clientes bem como a carteira nacional de artesão, fruto de uma avaliação assinada por críticos nordestinos. Por lá, o reconhecimento é tão expressivo que Carrer já tem compromissos marcados para o início de 2014. Em janeiro o artesão participa em Sergipe de mais uma feira setorial.

Quebra-cabeça de madeira

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Para Sergipe, artesão leva peças prontas e quadros que já caíram no gosto popular

Marchetaria é uma palavra de origem francesa. Na essência, significa incrustar, embutir. Na prática, é exatamente isso. Para criar os cenários, quadros, relógios ou o que mais a imaginação permitir, Carrer recorta as lâminas de madeira, matéria-prima para o trabalho. Além das máquinas, é preciso ter mãos firmes, bisturis e estiletes próprios para o artesanato. As peças variam de tamanho, precisam ser ajustadas para darem efeitos sombreados e dependem, quase sempre, da inspiração do artesão. Ao que parece, ela está sobrando. “A marchetaria é um alívio para o corpo e para a alma”, define. “Sempre digo que estou brincando porque o trabalho é uma satisfação muito grande que eu tenho”, completa.

A produção com qualidade garantiu bons resultados. As peças feitas em um cantinho da garagem viajaram para muito longe. “Tenho peças em Nova Iorque, São Francisco, Holanda, Itália e no Chile”, aponta.

Onde tem mais?

As peças de Gilberto Carrer estão expostas na Arte do Porto, na Rua Sete de Setembro, mas também podem ser feitas sob encomendas. Na página virtual do artesão, há mais informações e imagens do que é possível fazer com a arte.

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