A ligação da Daihatsu com o Brasil não é nova. Em 1994, quatro anos após a reabertura dos portos às importações e graças ao dólar baixo, que chegou a ser negociado por menos de R$ 1, várias marcas de diversos tipos de produtos, incluindo carros, começaram a inundar o País.
A japonesa Daihatsu, que foi fundada em 1907 e foca a produção de veículos compactos e de baixo custo, foi uma delas. E não chegou de mansinho, não. Embora o número de lojas fosse reduzido, a marca trouxe nada menos do que oito opções.
Vieram os jipes Terios e Feroza, o Charade (hatch e sedã), o hatch Cuore, o sedã Applause e as vans More e Gran Move. Essa variedade de carros, no entanto, não foi suficiente para garantir bons números de vendas. Como resultado, a marca encerrou as operações no Brasil em 1999.
Um dos destaques da Daihatsu, além dos jipes, era o Cuore. Com apenas 3,31 metros de comprimento, o carrinho era 26 cm menor que um Fiat Mobi, por exemplo. Porém, como a carroceria era alta (1,44 m), era possível acomodar pessoas de até 1,80 metro – inclusive duas no assento traseiro.
FRUGALIDADE
O Cuore chamava a atenção pelo motor para lá de econômico. O três-cilindros de 847 cm³ e 12 válvulas gerava 44 cv de potência e 6,8 mkgf de torque. Os números, que até podem parecer pífios, eram mais do que suficientes para mover o hatch, que pesava 630 kg.
Segundo dados da marca, na estrada o Cuore podia rodar até 16 km com um litro de gasolina. Porém, alguns proprietários diziam que conseguiam fazer mais de 20 km/l. Por isso, o tanque tinha meros 32 litros.
O porta-malas também era bastante reduzido. Mas dava para ampliar os 128 litros de capacidade rebatendo o banco.
Inicialmente, o modelo era oferecido apenas com carroceria de duas portas. No período próximo ao encerramento das vendas, a Daihatsu chegou a trazer o Cuore de quatro portas.
O acabamento do hatch era bem simples e marcado pelo excesso de plásticos duros. Assim como o quadro de instrumentos, no qual havia apenas velocímetro, hodômetro e indicador das luzes de seta.
A versão vendida no Brasil era da quarta geração do modelo. A quinta foi lançada no Japão em 1998 e tinha algumas atualizações no visual em relação à anterior, mas nunca chegou a desembarcar no País.
Em 1999, a Toyota passou a controlar a Daihatsu após adquirir 51% das ações da companhia. Com isso, a marca foi reestruturada e deixou de trazer veículos ao mercado brasileiro.