Habilidade que vem do mesmo berço

Irmãs compartilham a vida, o cotidiano e o dom das produções manuais

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

Sônia, Silvana e Siomara têm pouca diferença de idade. As irmãs moram juntas e sorriem do destino parecido. Nenhuma se casou ou teve filhos, mas todas carregam no rosto uma expressão de aceitação pacata. Da vida, sorriem e encontram no artesanato o refúgio aos eventuais “porquês”.

Moradoras do Bairro São Pedro, as irmãs de sobrenome Sans são hábeis com os dedos e agulhas. Em casa, o respeito vale para a personalidade de cada trabalho e para o perfil de cada uma: Silvana e Siomara são surdas. Cabe â Sônia o papel de “ponte” entre os clientes e empresas. Na verdade, a irmã é uma espécie de Relações Públicas das outras. Sônia e Silvana aprenderam com Siomara, cujo comprometimento da audição é maior, os primeiros pontos. “A Silvana é perfeccionista. Nossa mãe não gostava de ver ela fazendo blusas porque por qualquer errinho, ela desmanchava tudo”, conta Sônia.

O artesanato ganhou prioridade na casa das três irmãs desde que a aposentadoria chegou. Sônia e Siomara foram professoras na Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos e da Fala (Apadaf), em Porto União. “A gente senta na sala de televisão e fica trabalhando. Não conseguimos apenas assistir, sem fazer nada. A gente escuta e trabalha”, sorri Sônia.

Identidade

Silvana, que aprendeu com a mãe os primeiros traços, ensinou a base do trabalho manual para as outras irmãs. Com o tempo, cada uma se especializou no que realmente gostava de fazer. O resultado foi uma mistura bela e harmônica. Sônia faz trabalhos em ponto cruz. Siomara assina peças em crochê e é especialista na confecção de roupas para a boneca Barbie. Silvana é a irmã que acumula mais encomendas e versatilidade. “Ela faz tudo, crochê, tricô e bordado”, elogia Sônia.

Sobreviver exclusivamente com a produção do artesanato ainda é um sonho distante. Mesmo assim, entre um trabalho e outro, as irmãs ajudam quem mais precisa. Nas terças, elas trabalham como voluntárias no Lar Espírita União, onde ensinam o ofício para mulheres mais carentes. Nas quintas, as técnicas são aplicadas na produção dos enxovais para bebês no Clube de Mães da Apadaf.

A agenda cheia de compromissos não inibe a produção. Várias peças já foram, inclusive, exportadas. As irmãs, que tem material na Alemanha e Estados Unidos, não temem o desafio e apostam em sua própria habilidade. “Tudo é possível. Não há limites”, dizem.

Satisfação

A casa simples e organizada das irmãs Sans exala criatividade. Tudo é muito bem arrumado e as paredes servem de vitrines para o que já foi produzido. Uma das peças mais curiosas é o quadro que revela uma paisagem a partir do bordado de fios de lã. A obra tem quase 40 anos. Na cozinha, no mesmo modelo, está a Santa Ceia, outro trabalho feito com fios há algumas décadas. “Para nós é uma terapia. O artesanato é até uma forma de não termos depressão ou de ficarmos tristes”, sorri Sônia.

Onde tem mais?

Na Arte do Porto, na Rua Sete de Setembro, em Porto União. As irmãs também trabalham com encomendas. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 3522-5250.

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