De Mochila pelas Américas

·
Atualizado há 13 anos

 Por Ike Weber

Atacama-2010-260-585x438
Ike Webe

Uma expedição solitária e de aventura, com praticamente um ano de duração, permite contabilizar histórias, enriquecer a cultura e desenvolver valores como a adaptabilidade e a flexibilidade. Foi o que fez o jornalista Ike Weber, que acaba de retornar ao Brasil, após percorrer, por terra e por água, 12 países das três Américas.

Weber saiu de Curitiba em novembro do ano passado, para iniciar sua trajetória do sul do Peru até o centro-norte do Alaska. Só de deslocamentos foram 585 horas, o equivalente a praticamente 25 dias ininterruptos, em sistema multimodal de transporte: de ônibus, trem, moto e bicicleta.

O aventureiro também cavalgou encostas e subiu montanhas. Navegou por rios, lagos, geleiras e mares, de canoa, caiaque, ferry boat ou barco a motor. Dirigiu por rodovias cênicas, desbravou onde não havia estradas e pegou carona.

A peregrinação passou por todo o tipo de ambiente urbano e natural, paisagens e acidentes geográficos. O viajante explorou cânions, desertos e selvas; visitou povoados esquecidos pelo desenvolvimento e capitais cosmopolitas; relaxou em praias, rios e baías. Experimentou elástica amplitude térmica – de áreas geladas, com temperaturas abaixo de 0 C, até regiões de calor extremo, ao redor de 45 C.

“A opção foi por desvendar de maneira profunda cada região visitada, o que exigiu de 25 a 30 dias em cada país latino e no Alaska. Para cruzar os Estados Unidos de sul ao norte, sem pressa, pelo velho oeste, foram 45 dias”, relata.

A expedição foi uma jornada jornalística, cultura e de aventura, bem diferente de uma viagem de férias ou roteiro turístico. Em todo o trajeto, Ike Weber priorizou a exploração e a vivência do cotidiano e da realidade das comunidades locais.

Os hábitos eram econômicos, com refeições, transporte e acomodações singelas. A estada variou geralmente entre hostels – onde o dormitório, banheiro e cozinha são compartilhados -, hotéis espartanos, hospedarias ou pousadas. Algumas noites foram mesmo dentro de ônibus, em barracas ou cabanas de madeira. Exatamente 125 diferentes acomodações, para 307 períodos de sono.

A diversidade cultural dos povos e as diferenças no nível de desenvolvimento dos países, permitiu perceber desde a miséria e o sofrimento de países como o Peru (América do Sul), El Salvador e Nicarágua (América Central) à segurança e opulência dos Estados Unidos, realidade mesmo após crise internacional.

Banho de álcool, pouca comida e muita caminhada

A ousadia de uma longa jornada oferece possibilidades diferentes, vivências prazerosas e perigosas, situações cômicas e desagradáveis. Pelo caminho da alegria ou do sofrimento, sempre enriquece a vida do viajante.

Atormentado pelos comichões que não lhe abandonavam o corpo, o jornalista conta que despertou agitado em uma madrugada na Colômbia, após um trekking de uma semana pela selva, onde dormiu em rede e estabeleceu contato com índios da região. Fustigado pela coceira, não hesitou em correr para o banheiro e despejar quase um litro de álcool pelo corpo. “Sarna?”, pensou. No dia seguinte, atendido às pressas pelo médico, a constatação: havia contraído doença de criança, a varicela.

Experiência mais estafante o andarilho enfrentou no Equador. Seguro de que o motorista iria se lembrar de avisá-lo para descer, relaxou no ônibus, trajeto noturno entre dois povoados. Ao notar que a duração prevista para a viagem já havia terminado, há algum tempo, resolveu questionar. O motorista se confundiu e desembarcou o aventureiro em um ponto parecido.

Única diferença foi que era no meio da imensidão e escuridão dos vulcões equatorianos. Nenhuma acomodação, nenhuma luz, nenhuma comida nas proximidades. A caminhada para lugar algum foi finalizada com sorte. O jornalista encontrou um hotelzinho de beira de estrada para passar a noite e retomar o trajeto na manhã seguinte.

A atenção com a segurança pessoal permeou boa parte da viagem, especialmente no trajeto das Américas do Sul, Central e do México. As ameaças variavam entre sequestro de viajantes em corridas de táxi, possibilidades de assaltos à mão armada e os riscos naturais, em lugares inóspitos e distantes.

Os desafios foram também provocados, com a prática de esportes radicais e de aventura. Adepto da adrenalina, o aventureiro distribuiu as atividades: montanhismo (Peru); camping e trekking selvagem (Colômbia); “deep board” e escalada (Panamá); vulcanismo e motociclismo (Nicarágua); tirolesa e “parasail” (Costa Rica); cavalgada (México) “mountain bike” e “rafting” (EUA); caiaque (Alaska) e “hiking” em todos os lugares percorridos.

Mais histórias vocês confere no blog do jornalista: http://ikeweber.com/

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!