Os Estados de São Paulo, Acre, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Rondônia, Roraima e Sergipe não registraram na segunda-feira, 8, nenhum óbito por covid-19. Segundo o governo paulista, é a primeira vez que isso ocorre desde o início da pandemia – em algumas datas de novembro e dezembro de 2020, os registros também estiveram sem morte, mas por problemas no sistema. “Habitualmente, durante as segundas-feiras os dados divulgados são abaixo da média semanal, já que os municípios registram os óbitos no sistema oficial Sivep-gripe durante o domingo. Mas desde que a primeira morte pelo novo coronavírus foi registrada no Estado em março de 2020, este fato ainda não havia acontecido”, disse a Secretaria de Estado da Saúde.
Apesar da ausência de mortes nos registros na segunda, a média móvel de óbitos em São Paulo está em 73 e há quase um mês abaixo de 100. Segundo o governo, foram registrados 359 novos casos, totalizando 4.413.241. Já o número de mortes no Estado desde o início da pandemia é de 152.527. A taxa de ocupação dos leitos de UTI está em 24,5%.
Para se ter ideia da importância dos números de na segunda, em 1º de abril o Estado de São Paulo havia atingido a média móvel recorde de 890 mortes. Por meses, os números estiveram em patamares elevados, mas em 12 de outubro a marca ficou abaixo de 100 óbitos e se manteve assim. A média móvel de na segunda, de 73 mortes, está abaixo da de domingo: 75. É o terceiro dia de queda.
Nos últimos meses, o Estado acelerou a vacinação contra a covid-19 e já tem quase 70% de sua população totalmente imunizada. No total, mais de 73 milhões de doses foram aplicadas. Na quinta-feira, a cidade de São Paulo já havia registrado só uma morte por covid-19 em 24 horas.
Nas UTIs da capital paulista, o número de internações por covid também tem caído, principalmente desde outubro. Hoje, são raros os casos graves que chegam aos hospitais e, quando chegam, estão em sua maioria relacionados a alguma comorbidade. “O número de admissões da forma grave da doença tem caído sistematicamente, o que faz com que o perfil dos pacientes tenha mudado”, observa Jaques Sztajnbok, médico supervisor da UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. “Notamos que (os novos pacientes) têm comorbidades, mas sem a vacinação completa ou seis meses após completarem o esquema vacinal, como idosos que não tomaram a terceira dose.”
No Hospital Albert Einstein, a enfermeira Claudia Laselva, diretora de operações da unidade Morumbi, observa que o ritmo de internações “tem diminuído de maneira bastante rápida”. Hoje, são apenas 12 pacientes internados, três deles em UTI. O Einstein até planeja revisar os leitos exclusivos para a covid e diminuir o total atual de 22. No Emílio Ribas, as 12 vagas atuais têm servido também para receber soropositivos.
Tanto Sztajnbok quanto Claudia dizem estar otimistas com o futuro da pandemia no Estado e no País, mas pedem cautela. “Vemos com grande preocupação a flexibilização do uso de máscara, porque vários lugares no mundo fizeram isso e tiveram de retroceder”, afirma Sztajnbok.
Na Europa, países como Alemanha, Reino Unido, Bulgária, Ucrânia, Holanda e Romênia têm enfrentado um novo surto de casos e mortes. No Brasil, ainda há mais de 14 milhões de pessoas com a segunda dose atrasada, segundo levantamento da Fiocruz.