Uma nova rodada de revisões nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou na terça-feira, 30, que, diferentemente do que o governo divulgou durante este ano todo, o Brasil perdeu vagas de trabalho formal durante a pandemia de covid-19 em 2020. Entre contratações e demissões no ano passado, foram fechados 191.502 postos.
Em janeiro, o Ministério da Economia divulgou que as admissões haviam superado as demissões em 142.690 empregos no ano passado. Há um mês, o número real já havia despencado para 75.883. Agora, entrou definitivamente no vermelho.
Revisões em dados do Caged são corriqueiras e podem ocorrer até 12 meses após novas demissões e admissões, mas o tamanho da diferença revela que um número maior de firmas atrasou o preenchimento das informações sobre demissões no ano passado. De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, a maioria das declarações enviadas fora do prazo foram de pequenas empresas.
Quando divulgado no fim de janeiro, o Caged de 2020 acumulava 15,166 milhões de admissões e 15,023 milhões demissões. Agora, após dez meses de revisões mensais, o número de admissões subiu para 15,619 milhões, uma correção de 2,98%. Mas a quantidade de demissões aumentou para 15,811 milhões, um ajuste de 5,24%.
Sem mencionar o resultado negativo, o secretário executivo do Ministério do Trabalho e Previdência, Bruno Dalcolmo, negou ontem que o Caged tenha tido subnotificação de demissões em 2020 e minimizou a redução do saldo com as informações repassadas pelas empresas com atraso.
“Em 2020, houve 15 milhões de admissões e 15 milhões de demissões, ou seja, 30 milhões de movimentações, e a diferença é de 270 mil. Nos dois anos (2020 e 2021) houve 60 milhões de movimentações e o porcentual de ajuste é de 2,78% com as informações que as empresas repassam tardiamente.”
O primeiro impacto da pandemia de covid-19 sobre o Caged foi um “apagão” de dados do indicador no começo do ano passado. No fim de março de 2020, o Ministério da Economia decidiu suspender por tempo indeterminado a divulgação dos saldos do Caged de janeiro e fevereiro. Com o passar das semanas, os dados de março também caíram no limbo. Em abril do ano passado, Dalcolmo reconheceu que o Caged tinha dificuldades na coleta de informações em um momento em que muitas empresas e escritórios de contabilidade estavam fechados.
Nos meses seguintes, porém, a pasta alegou que o preenchimento das informações tinha voltado ao normal, negando subnotificações de demissões. No entanto, a persistente elevação da taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE contrastava com os resultados bastante positivos do ministério.
Na nota técnica em que informa a revisão da série desde janeiro de 2020, o ministério disse que a atualização aumenta a precisão dos dados. “Em especial, a recuperação do emprego formal desde o segundo semestre de 2020.”
Segundo dados também divulgados na segunda-feira, a economia brasileira criou 253.083 empregos com carteira assinada em outubro, segundo o Caged. Foram 1,760 milhão de admissões e 1,507 milhão de demissões.
As informações são do jornal