Ex-presidente do BC, Arminio Fraga diz que aceitaria o cargo de ministro

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Atualizado há 5 anos

Ex-presidente do Banco Central (BC), o economista Arminio Fraga afirmou na segunda-feira, 30, que aceitaria voltar ao governo federal como ministro da Fazenda. Mas, segundo ele, isso dependeria de algumas condições. Entre elas, haver apoio na condução da agenda econômica. “Só vale se puder fazer coisas”, disse, durante evento virtual da Latin Lawyer. “Ainda tenho muito a contribuir”, afirmou o economista, durante o evento, ao responder se assumiria o comando da política econômica do Brasil.

Arminio é um dos economistas mais respeitados do País. Foi presidente do Banco Central no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1999 e 1º de janeiro de 2003. Recentemente, esteve envolvido, junto com o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung, nas articulações para uma eventual candidatura de Luciano Huck à Presidência.

Como tem uma história ligada aos tucanos, uma hipótese seria que Arminio poderia se juntar eventualmente ao time de João Doria, pré-candidato do PSDB à Presidência e que já anunciou o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles como um dos seus articuladores econômicos. Questionado sobre o assunto, Doria disse: “Arminio Fraga é sério e competente, tem minha amizade e admiração. Mas não há nenhum entendimento nosso com ele neste momento”.

Ao , Arminio afirmou que não vai assessorar a campanha eleitoral de nenhum candidato. Segundo ele, nas eleições de 2014 e 2018 não houve um debate de qualidade no campo econômico. Em 2022, ele defende a necessidade de fomentar as discussões. “Tem que ser um debate de qualidade para dar a quem ganhar um mandato para fazer o que é necessário”, disse.

No evento da Latin Lawyer, Arminio, que é sócio da Gávea Investimentos, fez críticas à falta de liderança do presidente Jair Bolsonaro na condução das reformas. “O Brasil é vítima de políticas ruins e más ideias”, afirmou. “A situação no Brasil não é muito confortável, com liderança fraca e ideias ruins.” Segundo ele, como resultado de incertezas, em especial no campo fiscal, e baixo investimento, o Brasil tem sido incapaz de crescer. “Mesmo após a recuperação nos anos seguintes à recessão de 2015-2016, a economia continua em nível 50% abaixo do que já foi”, disse.

Ele considerou que, embora o governo tenha conseguido aprovar algumas “poucas reformas”, o pacote como um todo segue sem atrair novos investimentos ao País. Colocando a reforma administrativa como essencial, ao lado da reforma tributária, Arminio assinalou também que os gastos do governo são altos para um país emergente. Ainda assim, avaliou que o Brasil não é um caso perdido, levando em conta em seu comentário o instinto de sobrevivência da classe política para implementar as medidas estruturais necessárias. “Está claro que há muito espaço para melhorar.” (Colaborou Pedro Venceslau)

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