
A necessidade de distanciamento social com a pandemia consolidou o modelo híbrido de trabalho (alternância entre jornada presencial e remota) como preferência das empresas e dos colaboradores. Uma pesquisa realizada pelo Great Place to Work (GPTW), no final do ano passado, mostra que 30,2% das empresas entrevistadas já adotaram uma nova política em relação ao formato de trabalho. Dentre elas, 77,7% decidiram manter o modelo híbrido em 2022.
A mesma pesquisa indicou que, entre os trabalhadores participantes, 64,7% preferem o trabalho híbrido, enquanto apenas 16,4% acham melhor atuar 100% home office e 11,3%, totalmente presencial. O modelo que mescla presencial e remoto foi o escolhido pela maioria porque têm vantagens como redução de deslocamento e mais flexibilidade para adequar o trabalho a atividades pessoais, mas também preserva a interação com a equipe.
Na GOVERNANÇABRASIL (GOVBR), especializada em soluções de governança para a gestão pública, o modelo híbrido também foi escolhido pela maioria dos colaboradores. Por meio de uma pesquisa, o presidente da GOVBR, Marcelo Lima, preferiu ouvir a opinião da equipe antes de definir a forma de trabalho em 2022. “É necessário ponderar sobre todos os detalhes para que a escolha possa ser assertiva e não seja unilateral. Precisamos, também, nos organizar para atender tanto as prescrições legais, que existem para o trabalho híbrido, quanto os aspectos estruturais, como adequar as áreas físicas de cada setor, uma vez que, o funcionário poderá agendar os horários para ficar na empresa”, explica.
Após análise das respostas dos colaboradores, desde o início de janeiro, a GOVBR passou a adotar o modelo híbrido para a maioria da equipe. Marcelo acredita que instituições que não se adaptarem à tendência podem ter dificuldades. “Após esse longo período em casa, os profissionais já têm suas dúvidas se querem voltar. Isso passou a ser uma realidade, e é preciso ouvir as pessoas. Depois que comparamos os prós e contras, decidimos adotar o modelo híbrido. Nele, a gente entende que os interesses de todos os colaboradores são acomodados”.
Segundo Marcelo, há trabalhadores que continuarão em home office, como alguns que atuam na área de tecnologia da informação, por exemplo. Entre eles, alguns são de outros estados, inclusive. Somente uma parcela pequena ficará totalmente presencial. Raul Luciano dos Santos, Consultor de Produto da GOVBR no Paraná, um dos funcionários que cumprirá jornada híbrida de trabalho, elogia a iniciativa da empresa de consultar os colaboradores sobre o regime a ser adotado. “Acredito que o fundamental foi a promoção de um espaço aberto para sugestões. A empresa considerou nossa percepção e quis saber as opiniões, proporcionando uma melhor experiência para todos. Escolho o formato híbrido porque nos permite organizar uma rotina profissional sem prejuízo na produção e que preserva nossas atividades pessoais”, diz.
Fuga de cérebros
Empresas do setor de tecnologia, área de atuação da GOVBR, observaram forte crescimento nos negócios, principalmente, a partir da maior necessidade por inovação e ganho de eficiência e, também, da digitalização das atividades motivada pela pandemia de Covid-19. Esse panorama gerou uma corrida por profissionais de TI. “A contrapartida dos novos modelos de jornada que permitem o trabalho remoto seria a chamada ‘fuga de cérebros”, afirma. Esse fenômeno ocorre quando mão de obra altamente especializada ‘foge’ do país de origem em busca de melhores oportunidades em outras regiões. “Com a implantação e a expansão do trabalho remoto, rompe-se a barreira física. Nossas vagas passaram a concorrer com outras no exterior, que, com a alta do dólar, ficaram financeiramente atraentes”, pontua Marcelo Lima.
Essa tendência, afirma Marcelo, se concretizou à medida que empresas estrangeiras perceberam que poderiam contratar profissionais de outros países, bem qualificados, mas por um custo inferior quando comparado ao de um profissional de seu país de origem. “Basicamente, é fácil propor um salário melhor e mais competitivo para um brasileiro do que para um americano ou europeu, basta considerar a conversão das moedas em relação ao real. No ano passado, perdemos diversos profissionais para empresas com sede nos Estados Unidos e no Reino Unido. É praticamente impossível competir”, explica.
A alta demanda do mercado somada ao fenômeno citado aumenta a busca por profissionais do setor. “Somente em janeiro, contratamos 15 profissionais para compor o quadro de colaboradores. Sendo sete vagas para a área de tecnologia (desenvolvedores e ux designers) e oito para o mercado (consultores de produtos e agentes de relacionamento)”, compartilha Marcelo. Para se ter uma ideia, até setembro de 2021, a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) registrou 123.544 novos empregos no setor de Tecnologia da Informação. A projeção anterior da demanda para o ano era de 56.693 cargos. Nos próximos dois anos, a Associação estima que o mercado de TI abra 70 mil novas vagas.