A solução paliativa encontrada pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) para reduzir as ocupações na enfermaria e na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, começou a ser instalada na tarde de sexta-feira (15). Dois contêineres foram colocados em frente à unidade para triagem de pacientes e atendimento dos casos mais brandos.
Enquanto os contêineres não são utilizados, o ambiente na emergência do hospital infantil é de muita angústia e reclamações dos pais pela espera de horas para um atendimento. O choro das crianças e aflição nos rostos dos adultos retratam a situação na unidade.
Nitiele Borges e Gabriel da Silva vivem a agonia em busca de um atendimento para o filho Isaac, seis meses, desde a noite de quinta-feira (14) e até o final da tarde da sexta-feira ainda aguardavam por assistência médica. O menino estaria com uma hérnia na virilha.
Segundo a mãe, ele estava com gripe há dias e chorou ao longo do dia e levaram a criança até a UPA do Norte da Ilha. “O médico falou: mãe ele precisa ir para o Infantil fazer essa cirurgia correndo, senão ele vai morrer”, lembrou Nitiele.
Diante do prognóstico médico eles se deslocaram na noite de quinta-feira ao Hospital Infantil, mas o serviço de ultrassom não estava disponível neste horário. “Vim aqui (no Hospital Infantil) e não tinha ninguém para fazer a ultrassom”, reclamou.
Soluções urgentes
Além da instalação dos contêineres, na quarta-feira passada, houve a publicação do edital de contratação emergencial de pediatras para chamada imediata e está em elaboração um termo de referência para contratação de pessoa jurídica para fornecimento de equipes de intensivistas.
Na quinta-feira, a Vara da Infância e Juventude de Florianópolis determinou que o Estado garanta atendimento em leitos pediátricos e neonatais na rede pública, tanto na enfermaria quando em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em até 12 horas a partir do pedido médico.No hospital, também deverão ser abertos 13 leitos clínicos e mais dez leitos de terapia intensiva e semi-intensiva.
Na segunda-feira (11), uma menina de 2 anos e 4 meses morreu na emergência do Hospital Infantil de Florianópolis. Há um mês, uma bebê de 2 meses morreu no mesmo hospital após ter três paradas cardiorrespiratórias. Segundo a mãe, a criança ficou dois dias à espera de uma vaga na UTI da unidade.