Carlos Eduardo Moreira
Como assessor e pesquisador em políticas educacionais, não posso deixar de comentar e também aplaudir a recente conquista da educação pública municipal de Porto União: a escolha democrática dos diretores das unidades de ensino. É uma conquista que merece ser comemorada por toda a comunidade educacional e a sociedade em geral.
Um verdadeiro título que não foi inventado em gabinete nem precisou de especialistas de Florianópolis para dizer que somos o primeiro de Santa Catarina. Na verdade, Porto União é o exemplo de como deve ser a condução política de um processo de escolha de gestores para as escolas públicas em Santa Catarina: democrática e tecnicamente impecável. Esse trabalho teve início com a criação do Sistema Municipal de Ensino de Porto União, sob a batuta do “maestro educacional”, Professor Bento Trindade, que formou uma equipe de trabalho, na Secretaria de Educação, capaz de fundamentar e orientar à politica educacional do município a partir das propostas surgidas nas conferências de educação no país, nos últimos quatro anos.
Esse trabalho também serve de exemplo para outros gestores municipais, que ainda não compreenderam o real significado do papel de um gestor público num contexto de globalização e complexidades social e política, no mundo. A sociedade civil global não mais tolera nem precisa de pessoas que saibam somente mandar e determinar o que os outros devem fazer. O tempo é outro e as necessidades são outras. O atual gestor deve ser um profissional que saiba mobilizar conhecimentos teóricos e práticos com habilidades de observar, problematizar, dialogar, delegar e coordenar ações de trabalho, bem como saber lidar com conflitos e vaidades de seus subordinados, para atingir resultados definidos coletivamente.
Alguém que saiba movimentar o processo de trabalho sem precisar “empurrá-lo”, sem “atropelar” as etapas de amadurecimento do esforço coletivo compartilhado, inclusive, por aqueles que não acreditam no sucesso da conquista. O sociólogo francês Pierre Bourdier fez uma afirmação que cabe bem nesse acontecimento: para mudar o mundo é necessário mudar as formas de fazer o mundo. Mudar as formas é, acima de tudo, colocar em prática aquilo que exaustivamente foi discutido, debatido e definido pelas pessoas envolvidas direta e indiretamente no trabalho educacional.
Enfim, essa conquista representa mais um passo para a construção da autonomia da escola pública municipal, que deverá atingir a excelência do ensino num breve espaço de tempo, para que se torne uma referência estadual de fato. Da minha parte, fico muito contente por ter participado de um momento dessa caminhada. Parabéns Porto União!
Professor universitário e assessor de prefeituras municipais – cadumoreira2003@hotmail.com