IMA alerta para os perigos de cursos sobre criação de cobras em cativeiro

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Atualizado há 4 anos

A crescente oferta de cursos para criação de serpentes em cativeiro com o objetivo de comercialização de veneno tem preocupado os órgãos ambientais e instituições que atuam na conservação desses animais. Recentemente a Sociedade Brasileira de Herpetologia (SBH), entidade que congrega pesquisadores e outros profissionais que atuam na pesquisa, no manejo e na conservação de anfíbios e répteis do Brasil, veio a público se manifestar contra o fato da atividade ser vendida por esses cursos como extremamente lucrativa garantindo a obtenção de licenças e lucro em curto prazo.

A publicação da carta aberta contou com o importante apoio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios do ICMBio, responsável por coordenar a elaboração dos planos de ação voltados para conservação da fauna brasileira.

Em Santa Catarina, os técnicos do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA)
relatam que a demanda de processos para abertura de serpentários tem crescido por conta dessa oferta fantasiosa que os cursos promovem.

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Cabe destacar que todo empreendimento de fauna silvestre em cativeiro (nativa ou exótica) deve ser autorizado pelo IMA e para isso o interessado deve protocolar toda a documentação e projeto para análise técnica. Neste caso, por serem espécies peçonhentas são exigidas também as medidas de segurança conforme as solicitadas para zoológicos.

Todo o projeto e acompanhamento do empreendimento deverá ser feito por profissional devidamente habilitado e qualificado no manejo de serpentes. Além disso, é solicitada uma declaração de laboratório que sinalize interesse na aquisição do veneno.

“Todas essas medidas visam resguardar a segurança da população, dos responsáveis pelo manejo, bem como, a segurança dos animais e a conservação da fauna silvestre”, reforça a presidente do IMA, Sheila Meirelles ao lembrar que os projetos até hoje apresentados não seguiam esses critérios e muitos acabaram desistindo de dar continuidade aos processos de solicitação.

Relevante frisar que para iniciar uma criação como esta, será necessário ainda, a aquisição de indivíduos de empreendimentos devidamente autorizados pelos órgão ambientais competentes e que a destinação por doação por parte dos órgãos de resgate e apreensão é irrisória, uma vez que, na grande maioria dos casos, os animais têm plenas condições de retorno a natureza.

Por fim, a carta aberta da SBH pode ser conferida na íntegra neste link

Espécie Bothrops jararacussu | Foto: Espaço Silvestre