Espaço Cultural: Esse é “o cara”

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Atualizado há 13 anos

Esse é “o cara”

Por Therezinha Wolff

Quem é aquele adolescente, que batendo bola no campo de futebol do Colégio São José foi, descoberto por Frei Libório como um zagueiro central que muito prometia?

Jovem que o bravo Armando Sarti dali em diante levou para integrar a equipe do Juventus Futebol Clube, sempre jogando com técnica, talento e disciplina para merecer títulos e medalhas?

Que no auge dos seus 21 anos destacava-se como atleta recebendo no dia do aniversário do Clube, em 1949, medalhas de 1º lugar na corrida de revezamento, no salto em extensão e o título de melhor jogador no Torneio Relâmpago realizado entre os clubes de Porto União e União da Vitória? Que mais tarde, nas grandes decisões dos clubes amadores filiados à Liga Esportiva Regional Iguaçu e Liga Desportiva Noroeste Catarinense, junto a tantos outros nomes, engrandeceram o das cidades chamadas gêmeas, deixando marcas salpicadas nos gramados do União Esporte Clube, do São Bernardo Futebol Clube, nos Estádios Municipais de Porto União e Ferroviário, e no de tantos outros em diferentes localidades dos estados do Paraná e Santa Catarina?

Quem é o jovem que disputando o campeonato do Centenário do Paraná, em 1953, foi pretendido pelo Grêmio de Porto Alegre, o Coritiba Futebol Clube, por Blumenau e Brusque e até pelo Olaria do Rio de Janeiro, quando o mesmo era renome nos campeonatos brasileiros, recebendo propostas que foram para as páginas esportivas de grandes jornais?

O cidadão, por 40 anos cumprindo seus deveres para com a justiça eleitoral, que atuou na presidência de mesas, na equipe de escrutinação e secretariou as apurações, elaborou atas, quando a votação era feita por cédulas e o registro das eleições manuscritos em grossos livros, trabalho realizado, com a iluminação precária fornecida na época, em horas que podia descansar?

Que pela confiança nele depositada por parte da diretoria da Caixa Econômica Federal, inaugurou e gerenciou a Agência de Caçador, foi transferido para a capital paranaense, gerenciou a Agência Central de Curitiba e aposentado assumiu a presidência da Comissão de Vendas e Alienações dos imóveis tomados pela Instituição Paranaense? Trabalho que tantas vezes tirou-lhe do bom sono para atender telefonemas de pessoas inescrupulosas a oferecerem-lhe propinas quando realizados os leilões dos imóveis?

Quem voltou para Porto União, não mais um jovem para reencontrar-se com a bola, mas desenvolver trabalhos comunitários junto ao Abrigo do Menor, ajudar na solução de questões pendentes, encontrar solução para questões pendentes no chamado Tribunal das Pequenas Causas?

Que, Dr. Saulo de Lima, Juiz do Fórum, reconhecendo-lhe os méritos, nomeou-o Juiz de Paz da Comarca de Porto União e realizou muitos casamentos até completar sete décadas de existência?

Sem titubear posso responder a tantas interrogações, ele é “o cara”: Ivo Hercílio Wolff, que entrou em minha vida e deixou-me entrar na dele, ainda na juventude.

Nesses dias que antecedem o Natal, quando as emoções dão significado especial à nossa existência e já passamos por tantos verões, me incorreria em falta grave se deixasse de agradecer a esse cara que me trouxe a felicidade do amor, de ser mãe, avó, de dar-me apoio, companheirismo e compreensão para mais estudar e aprender a realizar-me na vida profissional.

É para ele, que nunca ostentou grandeza ante elogios ou cargos que teve, mas executou-os ciente de que são passageiros, aqui no espaço que me concede este jornal, abro o meu coração para pedir ao Menino a renascer, que juntos nos guarde sob o seu cuidado amoroso, concedendo-nos a força e a coragem para enfrentar tropeços. E que nos permita, reunidos aos filhos, netos e amigos muitos Natais a louvarmos e esperarmos com alegria mais um ano a chegar.

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