
O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) classifica as 39 microrregiões por meio do perfil da microrregião geográfica. E muitos são os contrastes em se tratando de capital político e economia. De acordo com dados do senso do IBGE 2010, a região sul do Paraná, que compõe a microrregião geográfica de União da Vitória, tem 116.691 habitantes.
Desses, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 90.778, são eleitores, o chamado “capital político” dessa região. Se você acha bastante, então saiba que a microrregião de São Mateus do Sul, que compreende São Mateus do Sul, São João do Triunfo e Antonio Olinto, tem 48.086 eleitores. A microrregião de Irati, com três municípios, tem 76.566 eleitores. A microrregião de Guarapuava, com 17 municípios, salta para 283.575 eleitores. Para fechar o comparativo, a microrregião de Curitiba tem pouco mais de 20 municípios e possui 2.096.078 de eleitores.
A representação política e o voto
O problema é que União da Vitória e sua região, com seus 90.778 votos, juntos seriam suficientes para eleger um deputado federal e um estadual – isso se todos os eleitores da região votassem nos mesmos candidatos. Com a pulverização de votos, onde várias tendências políticas se encontram, a região fica mais vulnerável ainda.
Mesmo com a estimativa do IBGE para 2013 (a região atingirá 121.681 habitantes) pouco muda em termos de eleitores. Se a densidade demográfica é considerada baixa (22,16 hab/km2), a densidade eleitoral é pior ainda. Esse percentual torna a região sul pouco atrativa se levar em consideração que está localizada em região de fronteira e perde parte do seu eleitorado para a microrregião de Porto União, em Santa Catarina.
Economia em Transformação
A microrregião de União da Vitória está em transformação. Segundo a coordenadora do banco de dados do Ipardes, Ângela da Matta Silveira Martins, a economia da microrregião está evoluindo, ainda que em passos curtos. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) 2012 foi de R$ 61.387.553,56. Quem mais emprega é o comércio e o grau de urbanização da região é de 70,84%. Dados do senso de 2010 apontavam que na microrregião, que compreende União da Vitória, Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Paula Freitas, Paulo Frontin e Porto Vitória, o setor industrial caminhava para a recuperação gradual. O setor madeireiro foi o que mais demitiu e o setor de prestação de serviços o que mais contratou.
A microrregião espera tirar um atraso histórico diante de outras microrregiões com melhor desempenho econômico e eleitoral. A falta de uma universidade pública gratuita refletiu no êxodo de estudantes. Agora o Governo Federal espera reverter o quadro com a instalação do Instituto Federal do Paraná. A única faculdade pública da região, a Fafiuv, em União da Vitória, luta para fazer parte da Unespar, em processo de criação pelo Governo do Estado. Além de tentar atrair novas indústrias e diversificar a economia, historicamente alicerçada na produção, extração e beneficiamento da madeira, a microrregião espera investimentos pesados em Saúde, Educação e Segurança Pública. Os dados confirmam: não é fácil ser a região onde o desenvolvimento se arrasta.