Por Marilucia Flenik
Nasceu-nos um menino na gruta de Belém
A esperança sempre se renova com o nascimento da criança, que se torna uma estrela guia para a jornada de vida.
Ser peregrino… estar a caminho… Jesus Menino chegou de improviso. Seus pais biológicos, Maria e José, por imposição do Rei Herodes, precisavam providenciar o cadastramento da família na terra natal, Belém, da Judéia. Pouco importava que Maria estivesse prestes a dar à luz. Foram obrigados a abandonar as quatro paredes protetoras do lar e obedecer as ordens do governante.
Lá chegando, não encontraram lugar nas pousadas. Maria começou a sentir as dores do parto. José abrigou a esposa em uma gruta que servia de estrebaria.
O menino nasceu, foi envolto em panos, e colocado em uma manjedoura. Eis a fragilidade da condição humana. Uma família de peregrinos, longe de casa, que foi obrigada a dividir a gruta de Belém com os outros animais…
Mas o céu se rejubilou e os pastores souberam que nascera um menino, o Salvador. “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com todas as pessoas”. (Lucas, 2,14)
O Natal é significativo para a grande maioria da humanidade, uma vez que a cultura judaica cristã está presente em quase todos os países do mundo.
O nosso código moral inicia com o Antigo Testamento, que traz a promessa de um Salvador. No momento da queda original, quando a criatura humana passa a conhecer o “bem” e o “mal”, metaforicamente é dito para a serpente: “porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis, 3, 15)
Enquanto seres do Jardim do Éden, “de toda a árvore do jardim poderiam comer livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comeriam; porque nesse dia certamente morreriam (Gênesis, 2,16-17). Mas Adão e Eva quiseram experimentar do fruto proibido e foram expulsos do paraíso. “Maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado: porquanto és pó, e em pó te tornarás.” (Gênesis 3, 17-18)
O “bem” e o “mal”: a árvore da sabedoria. A faculdade da escolha. O ser humano pode se aproximar dos anjos, ou se transformar no demônio. Tudo depende de sua motivação para lutar na vida e reagir às vicissitudes do dia a dia. Ser uma pessoa de boa vontade, que quer o bem, ou ser um interesseiro, que quer levar vantagem em tudo e, dessa forma, instalar a insegurança e o mal no mundo (nem estamos falando dos criminosos, que estão à margem destas considerações).
Muito já se pensou, muito já se escreveu, mas não sabemos ainda definir a criatura humana: um ser capaz de atos magnânimos e ao mesmo tempo capaz de cometer as maiores atrocidades.
“Animal racional” disse a modernidade: o que distingue o ser humano dos outros animais é a razão. Com certeza. A racionalidade construiu este mundo fabuloso da tecnologia. Mas as máquinas são frias e o ser humano precisa de aconchego, de um coração a pulsar, capaz de acalentar a criança desde o seu nascimento. Desta forma aprenderá o que é o Amor, que se manifesta na forma de cuidado e benevolência. Esta última palavra significa agir de forma desinteressada, pelo bem estar do outro, seja próximo fisicamente, ou distante, no outro lado do mundo, mas todos pertencentes a mesma Humanidade, que se potencializa em cada ser vivente.
Neste tempo do Natal sempre é bom lembrar que a bondade trás a concórdia. Enquanto crianças nascerem, haverá sempre a esperança renovada de que as coisas podem se ajeitar. Apesar de todos os conflitos travados pelas criaturas humanas, o nascimento é capaz de enternecer e despertar o cuidado, a forma benevolente de transitar pela vida, importando-se com o outro, deslocando o interesse egoísta do bem próprio, para pensar nos companheiros de jornada.
Tal qual José, Maria e o Menino somos todos peregrinos, que muitas vezes precisamos sair do abrigo do lar e enfrentar o mundo lá fora. Bem vindo Salvador do mundo, JESUS MENINO, que vem nos conclamar à paz, à concórdia, à certeza de que existe uma estrela guia nesta jornada, que conduz à Gruta de Belém as pessoas de boa vontade, para o encontro com o Deus Menino. FELIZ NATAL!