Por Mariana Honesko
Não é comum, mas a amigdalite também pode aparecer com intensidade e provocar os mesmos desconfortos na temporada dos dias mais quentes. Nas Cidades Irmãs, o número de pessoas com a doença cresceu e, em pouco tempo, “contamina” membros da mesma família ou amigos de uma mesma roda.
Em Porto União o otorrinolaringologista Leandro Ricardo Mattiola faz um alerta para esta mudança no perfil da doença. Segundo ele, a amigdalite tem relação com as condições do tempo e o aparecimento nesta época do ano é apenas uma coincidência ou fruto de contaminação viral. A doença é resultado da ação das bactérias nas amígdalas, que ficam na parte de trás da garganta, na entrada das vias respiratórias. A ação ocorre quando a imunidade está baixa, o que causa o inchaço das amígdalas e até a formação de pontos de infecção. A amigdalite é mais comum em crianças. “Mas qualquer faixa etária pode ter. Basta ter amígdalas”, sorri.

A retirada das amígdalas por meio de uma intervenção cirúrgica é uma orientação médica que depende da ocorrência da doença em um determinado período. Quanto mais ela ocorre em um ano, por exemplo, mais próximo da cirurgia está o paciente. “Falamos em cirurgia quando as amígdalas estão grandes demais ou quando a frequência está muito alta”, pontua o médico. Os cálculos mostram que a cirurgia é interessante quando ocorrem em cinco vezes por ano, quatro em seis meses ou três por ano durante 24 meses. “A partir dessa frequência já há a indicação da cirurgia”, explica.
A frequência maior ocorre entre as crianças. A partir dos dois anos de idade ou até menos, a cirurgia já é recomendada. Conforme o médico, a retirada não representa problemas. “Existe o medo de que ela faça falta, mas não tem fundamento. A amígdala funciona como órgão de defesa até os seis meses de idade. Depois, ela perde essa função e tenta compensar isso com aumento de tamanho”, explica.
Mesmo não oferecendo problemas quando extraídas, alguns cuidados podem ajudar, até prevenir o aparecimento de inchaços e inflamações e afastar a chance de intervenção cirúrgica. “Os cuidados que a avó já falava continuam valendo. É bom manter alimentação regrada, praticar exercícios físicos, evitar tempo frio, se agasalhar direito e evitar excesso”, sorri. Para quem tem tendências para a amigdalite, já há medicamentos que podem auxiliar. Eles são imunoestimulantes contra as bactérias que causam a doença. “Mas não tem milagre. Se a medicação fosse cem por cento eficiente, não operaríamos mais ninguém”, sinaliza.