
O mercado de bananas em Santa Catarina apresentou oscilações significativas entre janeiro e fevereiro de 2025. A banana-caturra registrou uma queda de 22,7% nos preços pagos ao produtor devido ao aumento da oferta, enquanto a banana-prata teve uma valorização de 2,8%, impulsionada pela melhoria na qualidade da fruta e pela maior demanda. Os dados foram divulgados no Boletim Agropecuário de março do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).
Segundo o economista Rogério Goulart Júnior, da Epagri/Cepa, a produção de banana-caturra cresceu 17% em relação ao ano anterior, atingindo 626 mil toneladas. “Com a maior oferta, os preços caíram mais de 50% em comparação a 2024. Contudo, o fruticultor ainda consegue manter sua margem, compensando no volume vendido”, explica.
Por outro lado, a banana-prata, mesmo com um aumento de 15% na produção, totalizando 138 mil toneladas, teve preços valorizados. “A melhoria da qualidade, aliada à maior demanda sazonal com a volta às aulas, sustentou essa valorização”, acrescenta Rogério.
Expectativas para março
Para março, projeta-se uma nova desvalorização de 1,5% na banana-caturra, devido à ampliação da oferta. Em contrapartida, a banana-prata pode ter um aumento de 8,1% nos preços, favorecida pelas temperaturas mais amenas nas regiões produtoras.
No mercado nacional, as variedades nanica e prata tendem a desvalorizar nos próximos meses, com previsão de aumento na oferta. A estimativa é de um crescimento de 16,8% na produção de bananas para a safra 2024/25, alcançando 764,1 mil toneladas, com expansão de 2,6% na área cultivada.
Panorama de outras culturas em SC
Arroz
O arroz apresentou desvalorização em fevereiro e no início de março, refletindo o avanço da colheita e o aumento da oferta interna. Em Santa Catarina, a área plantada é de 145 mil hectares, com 65% da colheita já concluída. A produção deve crescer 9,52% em relação ao ano passado.
Feijão
Os preços do feijão-carioca e do feijão-preto tiveram quedas, influenciadas pela alta oferta nacional. A 1ª safra de feijão catarinense está 82% colhida, com previsão de aumento de 24% na produção. No entanto, a 2ª safra pode sofrer impacto negativo devido às condições climáticas adversas.
Trigo
Os preços do trigo mantiveram tendência de alta no início de março, subindo 2,4% em relação a fevereiro. Santa Catarina cultivou 123 mil hectares, uma redução de 10% na área, mas com um crescimento de 40,5% na produção, atingindo 432 mil toneladas.
Milho
Em fevereiro, os preços do milho subiram 2,38%. Apesar da queda de 11,8% na área cultivada, a produção deve crescer 16% devido ao aumento de 32% na produtividade. Para a 2ª safra, 92% da área plantada já foi semeada, com boas condições para 94% das lavouras.
Soja
Os preços da soja caíram desde novembro de 2024, mas mostram sinais de recuperação. A área plantada aumentou 2,6%, com previsão de crescimento de 12,2% na produção, alcançando 3,1 milhões de toneladas.
Alho e cebola
O preço do alho subiu ligeiramente para R$ 17/kg, enquanto a cebola segue abaixo do custo de produção, com alta de 8% nos preços ao produtor, mas queda de 11,82% no atacado.
Pecuária: carnes e leite
Bovinos
O preço do boi gordo caiu 1,7% em março devido à maior oferta. No entanto, as exportações de carne bovina cresceram 3,9% no 1º bimestre.
Frango
As exportações de frango cresceram 13,1% em fevereiro, alcançando 106,7 mil toneladas, com aumento de 16,3% na receita. O estado lidera as exportações brasileiras, respondendo por 22,6% do volume total.
Suínos
Santa Catarina exportou 61,5 mil toneladas de carne suína em fevereiro, um crescimento de 10,4%. No 1º bimestre, o estado respondeu por 55,5% das exportações nacionais do setor.
Leite
A compra de leite cru aumentou 2% em 2024, e SC respondeu por 13% da produção nacional. Em março, os preços ao produtor subiram para R$ 2,54/litro, refletindo pressões do mercado interno e externo.