O Marco Legal do Saneamento estabeleceu diretrizes fundamentais para a universalização do serviço no país. Em Santa Catarina, há um caminho a ser percorrido, especialmente na estruturação do modelo de regionalização. Nesse contexto, qualquer discussão sobre mudanças na gestão do saneamento deve ser conduzida com planejamento, embasamento técnico e transparência.
Quando entreguei a gestão da Casan, em fevereiro de 2022, diversas obras estratégicas estavam em andamento e um planejamento elaborado em parceria com a UFSC estava sendo desenvolvido. A continuidade dessas iniciativas é essencial para garantir avanços no setor.
O saneamento básico vai muito além da infraestrutura – é um fator determinante para a saúde pública, a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Municípios com redes de saneamento bem estruturadas são mais competitivos, atraem investimentos e oferecem melhor qualidade de vida à população.
A Casan é, antes de tudo, uma empresa de engenharia, e sua gestão exige conhecimento técnico especializado. A legislação reforça essa necessidade, garantindo que decisões sejam tomadas com base em critérios sólidos.
Por isso, qualquer decisão sobre o futuro do saneamento em Santa Catarina precisa considerar estudos aprofundados e um modelo bem estruturado. Não se trata de questionar se a empresa deve ser pública ou privada, mas sim de como essa decisão está sendo tomada. A privatização, sem um planejamento adequado e sem critérios técnicos claros, pode comprometer o acesso universal ao saneamento e impactar diretamente a saúde pública e o desenvolvimento do Estado. O caminho deve ser construído com responsabilidade e visão de longo prazo, assegurando que a população catarinense tenha serviços eficientes e de qualidade.
Roberta Maas do Anjos é engenheira civil, sanitarista e ambiental, Presidente do Sindicato dos Engenheiros em Santa Catarina – SENGE-SC, Funcionária da Casan e presidente da empresa de 2019 a 2023