Por Mariana Honesko

O espírito de aventura esteve presente nas cerimônias que marcaram às homenagens para Nossa Senhora dos Navegantes. A promoção, uma iniciativa da comunidade da capela do bairro que leva o nome da santa, começou logo cedo, às 9 horas de domingo, 2, e só terminou ao meio-dia, com missão campal na praça Campolim Ramos, autor das primeiras edições de homenagem, já em 1929. Oficialmente, contudo, conforme a comissão organizadora, a festa com procissão terrestre e fluvial ocorre desde 1967. “Dessa vez foi uma festa apenas espiritual”, sorri Arlete Ramos Berton, membro da comissão organizadora.
De fato, esse ano o evento não ofereceu almoço, jogos ou brinquedos. A ação neste modelo é inédita e uma decisão da comunidade. “Tivemos problemas no salão da capela, ficou em cima da hora e achamos que era melhor não fazer”, pontua Arlete.
Mesmo assim, quem participou das atividades encontrou no roteiro mais simples uma oportunidade para expressar sua fé. A procissão por terra reuniu poucos fiéis. Mais tímida, ela passou por algumas das principais ruas de União da Vitória e Porto União. Depois, a imagem de Nossa Senhora foi transferida do carro para o barco. No Iguaçu, atrás delas, outras dez embarcações seguiram por um longo trecho. Carros, barcos e lanchas foram abençoados às margens do Iguaçu pelos padres, Ivo e Aquiles. “Foi uma festa bonita, com menos pessoas mas mesmo assim, bem bonita”, avalia Arlete.
Atuaram de maneira intensa na organização as equipes do 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado e do Corpo de Bombeiros, ambos de Porto União. As entidades cederam coletes e montaram uma grande estrutura no rio para dar suporte nas embarcações.
Primeiros capítulos
As procissões são históricas e na região foram iniciadas pelo navegador, Campolim Ramos, em 1929. Na ocasião, ele teria abraçado à devoção após a compra de uma embarcação. Na época, a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes que teria adquirido, foi colocada na llha Grande ou Ilha da Graça, no município de Paula Freitas (PR). Mais tarde, com a construção da capela, em 1967, no bairro Navegantes, em União da Vitória, uma segunda imagem teria dado um impulso aos fieis. A devoção ganhou ainda mais ânimo a partir da construção da igreja em formato de barco, em 2004.


