Começa nesta quarta-feira o conclave que vai eleger o sucessor do papa Francisco

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Atualizado há 10 meses

Após o encerramento do período oficial de luto pela morte do papa Francisco, a Igreja Católica inicia nesta quarta-feira, 7, o terceiro conclave do século XXI, que reunirá 135 cardeais com direito a voto na Capela Sistina, no Vaticano. A missão: eleger o novo líder máximo da Igreja Católica.

O conclave é o processo tradicional e reservado de escolha do Sumo Pontífice, que permanece praticamente inalterado há mais de 800 anos. Apenas cardeais com menos de 80 anos participam da votação. Atualmente, o colégio eleitoral é formado por 135 cardeais de 71 países — o maior número de nacionalidades já registrado em uma eleição papal.

Como será o processo

O conclave começa com uma missa solene na Basílica de São Pedro. Às 16h30 (11h30 de Brasília), os cardeais entram na Capela Sistina e é dada a ordem extra omnes (“todos fora”), iniciando oficialmente o período de votação secreta.

Neste primeiro dia, pode ou não ocorrer uma votação inicial. Os resultados — caso existam — são anunciados por volta das 19h (14h de Brasília), com a fumaça que sai da chaminé da Capela: preta, se nenhum nome for escolhido, ou branca, quando um novo papa é eleito.

A partir de quinta-feira, acontecem quatro votações por dia (duas pela manhã e duas à tarde), até que um cardeal receba pelo menos dois terços dos votos. As cédulas são queimadas após cada rodada, junto com uma substância que produz a fumaça.

Se nenhuma escolha for feita até sexta-feira, sábado será um dia de oração e pausa nas votações. O processo pode durar dias ou semanas, dependendo das negociações internas e do consenso entre os eleitores.

Favoritos e especulações

Apesar de a tradição indicar que os favoritos quase nunca são eleitos — o que deu origem ao ditado “quem entra papa, sai cardeal” — alguns nomes têm sido destacados na imprensa internacional:

  • Pietro Parolin (Itália): Secretário de Estado do Vaticano, considerado um dos mais fortes candidatos.

  • Luis Antonio Tagle (Filipinas): Com experiência pastoral e proximidade com os fiéis, seria o primeiro papa asiático.

  • Fridolin Ambongo (Congo) e Peter Turkson (Gana): Representam o crescimento da Igreja na África e são fortes símbolos de diversidade.

  • Robert Prevost (EUA): Reformista e influente na América Latina, representa uma possível escolha inédita americana.

  • Reinhard Marx (Alemanha), Robert Sarah (Guiné), Peter Erdo (Hungria) e outros completam a lista de possíveis nomes, entre progressistas e conservadores.

Haverá um papa brasileiro?

Sete cardeais brasileiros estão entre os eleitores do conclave. Entre eles, Leonardo Ulrich Steiner, de Manaus, chegou a ser mencionado em listas de apostas internacionais. Em tom bem-humorado, ele respondeu à BBC: “Não tem nenhum perigo não. Eu não dou conta nem de Manaus.”

Novo papa será eleito em conclave; oito cardeais brasileiros participam da disputa (Foto: Reprodução/ Arquidiocese de Brasília/ Redes Sociais/ Arquidiocese do Rio de Janeiro)

Apesar da pouca tradição de papas fora da Europa, a diversidade geográfica do atual colégio eleitoral amplia as possibilidades. Desde 2013, o papa Francisco investiu na nomeação de cardeais em países que nunca haviam tido representantes, como Haiti, Mianmar e República Centro-Africana.

Quando o mundo saberá o nome do novo papa?

Quando um cardeal é eleito e aceita a função, é levado à chamada “Sala das Lágrimas” — onde vestirá a batina branca e os símbolos papais. Depois, o anúncio público é feito da sacada da Basílica de São Pedro, com o tradicional “Habemus Papam”, seguido da apresentação do novo pontífice ao mundo.

Esse anúncio pode acontecer minutos ou dias após o início do conclave. Se seguir o padrão dos últimos dois conclaves — que duraram apenas dois dias —, o novo papa pode ser conhecido ainda nesta semana.