
A Epagri lançou um sistema inédito na plataforma Agroconnect para monitorar os ciclos de vida e o número de gerações do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e outras arboviroses. Desenvolvida por especialistas da Epagri/Ciram, a ferramenta utiliza dados de temperatura do ar para calcular o tempo necessário para o inseto se desenvolver do ovo até a fase adulta, quando representa risco efetivo de transmissão de doenças. O sistema também estima quantas gerações do mosquito podem ocorrer conforme a temperatura ao longo do ano.
Segundo Hamilton Justino Vieira, pesquisador da Epagri/Ciram e um dos idealizadores da ferramenta, o objetivo é apoiar autoridades na adoção de medidas preventivas no combate às arboviroses. Em breve, a plataforma também oferecerá previsões para os ciclos de vida do mosquito em períodos de cinco, dez e 15 dias.
Essa iniciativa integra o projeto Miríades, que busca monitorar e prever a ocorrência de insetos-pragas em culturas agrícolas de Santa Catarina. O projeto é coordenado pela pesquisadora Iria Araújo e conta com uma equipe multidisciplinar de entomologistas e outros especialistas da Epagri.
O desenvolvimento do sistema é baseado em estudo publicado na revista científica Agropecuária Catarinense, que relaciona o crescimento do mosquito com a temperatura ambiente. Por serem animais de sangue frio, os insetos são diretamente influenciados por variações térmicas. Os pesquisadores criaram uma equação matemática que estima a duração do ciclo de vida do mosquito com base nas temperaturas médias horárias.
Em Florianópolis, os dados analisados entre 2001 e 2023 indicam que o A. aegypti pode completar seu ciclo de vida em 10 a 15 dias durante o verão e em cerca de 30 dias no inverno. Ao longo do ano, a capital catarinense pode registrar de 18 a 21 gerações do mosquito.
No restante do estado, a quantidade de gerações varia conforme a região. O litoral apresenta as maiores médias, de 18 a 22 por ano. O Planalto Sul, mais frio, registra entre 5 e 9 gerações anuais. Já o Planalto Norte fica entre 10 e 13, e o Oeste entre 14 e 17, se aproximando do padrão litorâneo.
Em média, as condições climáticas de Santa Catarina permitem ao A. aegypti desenvolver cerca de 19 gerações por ano, com uma a 2,5 gerações mensais e ciclo de vida estimado entre 10 e 30 dias, dependendo da estação.
Os pesquisadores destacam que os resultados referem-se à estimativa de ciclos de vida e não à quantidade de mosquitos, com base nos dados de 37 estações meteorológicas da rede Epagri.
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