
O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica morreu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, em decorrência de um câncer no estômago, diagnosticado em abril de 2024. Ícone político da América Latina, Mujica havia suspendido o tratamento oncológico em janeiro, ao descobrir que a doença havia entrado em metástase, atingindo o fígado. “Estou morrendo”, declarou ele ao jornal uruguaio Búsqueda, na ocasião em que também anunciou que não concederia mais entrevistas: “O guerreiro tem direito ao seu descanso”.
No domingo (11), o atual presidente uruguaio, Yamandú Orsi, pediu respeito à privacidade de Mujica. No dia seguinte, sua esposa, Lúcia Topolansky — ex-senadora e vice-presidente do Uruguai entre 2017 e 2020 —, informou que ele estava recebendo apenas cuidados paliativos.
“Este já é um fim anunciado. Os médicos estão tentando fazer com que isso aconteça da melhor forma possível”, disse ela.
Ex-guerrilheiro tupamaro e preso político durante a ditadura uruguaia, Mujica presidiu o país entre 2010 e 2015. Saiu do cargo com 63% de aprovação e não se candidatou à reeleição por impedimento constitucional. Seu governo ficou marcado por medidas progressistas como a legalização do aborto e a regulação do mercado da maconha — reformas que permaneceram mesmo sob governos posteriores de perfil mais conservador.
Mesmo fora do poder, Mujica manteve influência política e prestígio internacional. Seu estilo de vida austero, recusando privilégios e doando boa parte de seu salário, lhe rendeu o apelido de “presidente mais pobre do mundo” — e admiração que transcendeu ideologias.