Beto Richa desafia Gleisi

Governador briga com petista para liberação de R$ 4 bilhões ao Paraná

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Atualizado há 13 anos

Foto Jonas Oliveira/AENPr
Foto Jonas Oliveira/AENPr

O governador Beto Richa (PSDB) desafiou a senadora Gleisi Hoffmann (PT) em novo embate em tornos dos R$ 4 bilhões em empréstimos pleiteados pelo Paraná e que dependem do aval do governo federal para serem liberados. “Faço um desafio à senadora para que fale a verdade”, disse Richa ao rebater à petista que aludiu problemas fiscais do estado para o travamento dos recursos.

“De todos os estados, só o Paraná não recebeu os recursos ainda. Todas as questões levantadas pela Secretaria de Tesouro Nacional, todas as exigências já foram cumpridas. Não há dúvida que há um ingrediente político nesta situação”, completou.

Beto Richa adiantou que a situação fiscal do Paraná é muito melhor do que a do Rio Grande do Sul, governado pelo petista Tarso Genro, e de estados do Nordeste. “Todos sabem que o Paraná não tem a pior situação fiscal do país. As próprias revistas de circulação nacional, como a Veja, colocaram o Paraná bem acima da média nacional”, disse.

Eleição – O tucano lembrou que enquanto o Paraná luta para desbloquear os financiamentos, o Rio Grande do Sul, por exemplo, tem dificuldades em gastar os empréstimos já contraídos. “Somos a quarta economia do país, à frente do Rio Grande do Sul, e o quinto estado que mais contribui com a arrecadação federal. Será que não merecemos a mesma atenção?”, questionou.

“Existe o tempo de eleição e o tempo de administrar. Este povo não pode pensar que todo tempo é tempo de eleição. Eles querem me atingir, me desgastar, segurando empréstimos para que não possamos investir. Mas será que não enxergam que assim estão prejudicando o Estado?”, questionou.

O último imbróglio junto ao governo são os R$ 817 milhões do Proinvest, programa de financiamento do governo federal para obras de infraestrutura. No site da própria Secretaria do Tesouro Nacional, a liberação dos recursos aparece como autorizada – assim como outros três financiamentos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). No entanto, a Casa Civil até agora não enviou ofício ao Congresso Nacional que também dá sua chancela aos empréstimos.

O governador Beto Richa (PSDB) insiste que não dá para misturar governança com discriminação política. O tucano, mais do que qualquer um, sabe a dificuldade que estados e municípios têm vivido com a diminuição de repasses do governo federal.

“No Paraná, não há qualquer descriminação. Eu não discrimino nenhum prefeito do Paraná na hora de investir recursos estaduais e firmar parcerias e convênios. Não pergunto de qual partido ele pertence. A população não merece pagar a conta em função de uma divergência politico-partidária”, disse Richa.

Como exemplo, Richa cita que os principais programas de governo – como o PAM (Programa de Apoio aos Municípios) – atendem de maneira igualitária todas as prefeituras. No ano passado, 35 prefeituras governadas por petistas receberam R$ 13 milhões do programa, recursos a fundo perdido para cidades com menos de 50 mil habitantes.

Setor produtivo apoia cobrança

O governador Beto Richa (PSDB) conseguiu importantes alianças na briga por mais recursos ao Paraná. “Daqui a algum tempo eu saio do governo e que vai restar são prejuízos aos paranaenses. Temos que levantar essa bandeira em defesa ao Paraná, pois, todos somos penalizados”, disse Richa em reunião com empresários de Londrina.

Sérgio Malucelli, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná, disse que os recursos são fundamentais para resolver problemas da infraestrutura no estado, por isso é “importante que sejam liberados para aumentar a competitividade dos produtos paranaenses”.

Aos empresários, Richa cobrou ainda que enquanto o governo federal tem dinheiro para investir em países no exterior, como Cuba, Bolívia, Venezuela, Angola e Paraguai, faltam recursos no país. A gota d`água, segundo Richa, é o financiamento do governo brasileiro para a construção do porto de Cuba.

O porto de Mariel, Cuba, foi inaugurado por Raúl Castro e Dilma no dia 27 de janeiro. O governo brasileiro investiu R$ 1,9 bilhão no empreendimento e deve liberar outros R$ 701 milhões para finalizar a obra, via financiamentos do BNDES. “Enquanto falta dinheiro para o Paraná, sobra dinheiro para Cuba, para Angola”, disse.

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