Por Mariana Honesko

Mesmo de casa nova, a banca cultiva o charme tradicional. O cheiro dos livros e a disposição de uma infinidade de opções tornam a Banca Real cada vez mais interessante. Além da informação sempre atualizada, oferecida pelos jornais locais e nacionais quando chegam logo cedo, o local é ponto para encontro dos clientes mais fiéis, bem como parada obrigatória para os amantes de café expresso, lanches rápidos e guloseimas que deixam menos amarga a saga do cotidiano.
A Banca Real tem 50 anos e há 30 está nas mãos do casal, Algacir e Clecy Jukowski. Juntos há quatro décadas, os dois carregam pela empresa sua paixão. “Aqui é o meu céu”, sorri Clecy, simpática e de conversa fácil. Os sorrisos justificam-se: foi na banca que os filhos cresceram e que o neto, com nove anos, passa parte de seu tempo. As paredes ocultam histórias de quem depende da venda de informação, mas também de quem tem na notícia e no passatempo, um hobby tradicional.
A Banca Real está desde janeiro em novo endereço. Ela fica na rua Dom Pedro II, em frente à Companhia Paranaense de Energia (Copel). A mudança não é grande. Até o final do ano, ela esteve em uma garagem – ali a estadia durou apenas três meses – e um pouco antes, passou anos na rua Carlos Cavalcanti. A nova casa é mais ampla e permitiu ao casal oferecer outros serviços e conveniências.

Antes dos Jukowski, a banca teve outros quatro donos. A negociação com o último veio de repente, durante as férias. “Conversei com o dono na praia. Negociamos e a gente interrompeu ali as férias. Voltamos e começamos a trabalhar”, lembra Algacir. Mesmo com as dificuldades normais para um início de um novo negócio, o casal não teve medo. “Se você é cliente desde pequena, não tem erro”, lembra Clecy, que desde menina frequentava a banca. Para ela, a administração soou quase que familiar.
O tempo passou e a clientela se renovou. Hoje, além dos primeiros fregueses, a banca recebe filhos e netos de uma primeira geração. Eventualmente, até figuras ilustres. “Até o time do Paraná Clube veio aqui”, lembra Clecy, caçoada pelo marido por nutrir desde então uma simpatia pelos jogadores. “Eram muito educados”, explica.
Algacir e Clecy são como seus clientes: fãs de informação. Cada um, a sua maneira. Ela prefere livros; ele, jornais. A paixão de ambos motiva o trabalho diário – de domingo à domingo – sempre continuo. Mesmo com idade para se aposentar – no caso de Algacir, o casal não vê no trabalho caseiro como perspectiva. “Vou ficar aqui até ficar caduca”, brinca Clecy.
Algacir conta que já tentou desistir e ficar em casa. “Mas não consegui”, diz, com simpatia. Afinal, para ele, ficar longe seria abrir mão de uma infinidade de amigos e de colegas que pedem palpites e conselhos. Nos domingos, por exemplo, os grupos que se encontram na Banca Real chegam a conversar por uma, até duas horas. Quando reflete sobre a importância da banca em sua vida, Algacir silencia. Nesta hora, lhe faltam palavras. A quietude é logo quebrada por um afago da esposa. Em um abraço, ambos sorriem.
Se depender da vontade do casal, a Banca Real deve durar pelo menos mais três décadas. Os filhos não sinalizaram, ainda, se vão cuidar do negócio a partir da aposentadoria dos pais. O neto, ainda é muito criança para qualquer decisão. “Quando perguntam para a gente se vamos ficar muito tempo aqui, a gente diz que pelo menos mais 30 anos sim”, sorri Algacir.
O que tem por lá
Além de livros, revistas e jornais, a Banca Real oferece DVD’s e CD’s. É possível ainda pagar as contas de água e luz e tomar um cafezinho. O modelo é expresso e pode ser consumido com pastel, também disponível.