Uma em cada seis pessoas no mundo sofre com a solidão, aponta OMS

Relatório destaca que o problema afeta saúde, bem-estar e causa mais de 870 mil mortes por ano

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Atualizado há 1 ano

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um relatório preocupante por meio da Comissão sobre Conexão Social: a solidão é uma condição que atinge uma em cada seis pessoas em todo o mundo. O documento revela que o fenômeno, muitas vezes invisível, tem consequências graves para a saúde física e mental da população global, contribuindo para mais de 871 mil mortes por ano — o equivalente a cerca de 100 óbitos por hora.

O relatório define “conexão social” como o conjunto de formas pelas quais as pessoas se relacionam e interagem entre si. Já a solidão é descrita como um sentimento doloroso que surge quando há uma discrepância entre as conexões sociais que a pessoa deseja ter e aquelas que realmente possui. Em paralelo, o conceito de “isolamento social” refere-se à ausência objetiva de vínculos sociais suficientes. A OMS faz questão de frisar que o termo não se refere às medidas de distanciamento adotadas durante a pandemia da covid-19, mas sim a uma condição estrutural e prolongada.

De acordo com a OMS, o impacto da solidão vai além do sofrimento emocional. Ela está associada ao aumento do risco de doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, depressão, ansiedade, declínio cognitivo e até morte precoce. O relatório destaca que os efeitos do isolamento social e da solidão sobre a saúde podem ser comparáveis aos do tabagismo, da obesidade e da inatividade física.

“Nesta era em que as possibilidades de conexão são infinitas, cada vez mais pessoas se sentem isoladas e solitárias”, alerta o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Para ele, o paradoxo da conectividade moderna — em que redes sociais e tecnologia aproximam virtualmente, mas afastam emocionalmente — precisa ser encarado como uma questão de saúde pública.

O dirigente da OMS ressalta ainda que a solidão não é um problema exclusivo da saúde mental.

“Além do impacto que causam em indivíduos, famílias e comunidades, se não forem enfrentados, a solidão e o isolamento social continuarão a custar bilhões à sociedade em termos de saúde, educação e emprego”, afirmou.

A Comissão sobre Conexão Social da OMS foi criada justamente para chamar atenção global para esse tema negligenciado e propor estratégias que fortaleçam os laços sociais nas comunidades. Entre as recomendações estão políticas públicas voltadas para a promoção do convívio social em escolas, ambientes de trabalho e espaços públicos, além da inclusão de programas voltados ao bem-estar emocional nos sistemas de saúde.

O relatório ainda aponta que a solidão é uma condição que afeta pessoas de todas as idades, gêneros e culturas. Embora seja comum associá-la ao envelhecimento, jovens também estão entre os grupos mais afetados, sobretudo em contextos urbanos e digitais onde o contato físico e emocional é cada vez mais escasso.

A OMS espera que o alerta global sirva como catalisador para que governos, organizações e a sociedade civil incluam o combate à solidão e ao isolamento social em suas agendas de desenvolvimento humano e saúde pública.

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