Polêmica Religiosa: Igreja promove sessão de tatuagens coletiva

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Atualizado há 8 meses

Uma iniciativa da Igreja Reino, localizada em Balneário Camboriú, gerou intensa repercussão e acalorados debates nas redes sociais após a congregação promover uma sessão de tatuagens para seus fiéis, onde os participantes gravaram em seus corpos a mesma referência a uma citação bíblica: “Mateus 24:14”.

O versículo em questão diz: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”.

As imagens da sessão de tatuagens, divulgadas nesta segunda-feira, 14, no perfil de Eduardo Reis, fundador da Igreja Reino e pastor sênior da congregação, foram rapidamente compartilhadas e geraram uma onda de críticas por parte de cristãos que questionam o posicionamento da igreja.

O Propósito por trás da Tatuagem

No vídeo compartilhado, diversos fiéis, predominantemente jovens, expressaram suas motivações para aderir à ação. Segundo eles, a tatuagem serve como um “símbolo da missão como igreja” e um “memorial” para “lembrar o nosso propósito, lembrar o que Deus entregou para nós”.

Uma das participantes enfatizou que a tatuagem é “muito mais do que uma marca no nosso corpo, [é] algo que vai expressar em todos os dias da nossa vida e vai nos lembrar daquilo que Cristo nos chamou para fazer nessa Terra”.

O pastor Eduardo Reis, por sua vez, defendeu a iniciativa, afirmando que a tatuagem é uma forma de os fiéis da Reino “não esquecerem” do conteúdo do versículo “nem por um segundo”.

Ele revelou que, pessoalmente, “detesta tatuagem” e “nunca gostou”, mas que a fez por sentir em seu “espírito que Deus queria” que ele tivesse em si “um memorial da missão que Ele me deu“.

Reis argumentou que a questão transcende a tatuagem em si, focando na liberdade individual.

“Para Ele [Deus], não faz diferença nenhuma se você tem uma tatuagem ou não. Porque, se fizesse, Ele ia deixar escrito ‘não faça uma tatuagem'”, pontuou.

Onda de críticas e debates Online

Apesar da justificativa da Igreja Reino e de seus fiéis, a ação recebeu uma enxurrada de críticas nas redes sociais. Internautas questionaram a relevância da tatuagem para o propósito cristão.

“Se você precisa de uma tatuagem para lembrar do seu proposito, você precisa descobrir seu propósito”, comentou um seguidor.

Outro internauta analisou que a tatuagem coletiva é “mais uma estratégia para fazer gerar, inconscientemente, um ‘senso’ de pertencimento”.

O pastor Rodrigo Sant’Anna, figura conhecida nas redes, também se posicionou, afirmando preferir a expressão de Paulo: “Sou escravo de Cristo”, em vez de dizer “sou livre para fazer o que a carne deseja”.

A discussão se estendeu, com alguns internautas elogiando a iniciativa como uma forma moderna de expressar a fé, enquanto a maioria manteve o tom de crítica.

“O problema é achar normal uma igreja divulgar que estão fazendo reuniões para se tatuarem. Jesus não estaria junto nisso, não concordaria, e perguntaria ‘PARA QUÊ?'”, indagou um participante do debate online.

Estilo moderno e reprovações anteriores

A Igreja Reino já foi alvo de reprovações na internet devido à sua estética moderna e minimalista, com o uso de palavras e expressões em inglês, o que para alguns internautas, confere à congregação um aspecto elitista e descompromissado com o evangelho.

No ano passado, a igreja viralizou com vídeos de eventos que mostravam longas filas na entrada de sua sede, onde fiéis eram recepcionados com distribuição gratuita de café e soda italiana.

O interior do templo, caracterizado por paredes pretas e luzes neon coloridas, é visto por internautas como uma experiência “gourmetizada” ou “balada gospel”.

Em entrevista anterior, o pastor Eduardo Reis já havia comentado sobre a repercussão da igreja, que possui mais de 154 mil seguidores no Instagram e busca atrair principalmente o público jovem.

Pastor Eduardo Reis (Reprodução Redes Sociais)