O caso dos 11 bebês que receberam soro antibotrópico no lugar de vacina contra a hepatite B repercutiu negativamente na prefeitura de Canoinhas.
A prefeita Juliana Maciel Hoppe (PL) gravou um vídeo no qual afirma que vai abrir auditoria externa para investigar a questão.
Ela não explicou, contudo, como isso será possível considerando que o Hospital Santa Cruz (HSCC) é filantrópico e independente, apesar de receber recursos da União, do Estado e do Município.
“Não dá pra admitir que 11 bebês recém-nascidos tenham recebido soro pra picada de cobra no lugar de vacina contra a hepatite B. Acabei de determinar a contratação de uma auditoria externa no Hospital Santa Cruz, porque nós precisamos entender com clareza e responsabilidade o que está acontecendo”, comunicou Juliana através de um vídeo postado em suas redes sociais.
A prefeita ressalva que apesar de o Hospital não pertencer à prefeitura, a maioria dos atendimentos realizados lá são atendimentos SUS e a prefeitura encaminha mensalmente mais de R$ 1 milhão para custeio desses serviços para a população.
“O Hospital Santa Cruz não é da prefeitura, mas o canoinhense sim, é minha responsabilidade. E nós vamos começar cuidando dos bebês, mas essa auditoria vai analisar cada atendimento prestado pelo Hospital. Você, canoinhense, e toda a nossa região merecem respeito”, encerrou.
ENFERMEIRA APLICOU SORO
Uma enfermeira foi a responsável por administrar o soro no lugar da vacina nos 11 bebês. Relatos de pais de crianças que passaram pela maternidade na semana passada dão conta de que a profissional foi muito atenciosa e que ficou desesperada ao se dar conta da troca.
A reportagem apurou duas informações que circularam nas redes sociais e que não conferem com a realidade. O soro fica sempre no Hospital e não é encaminhado pelo Ambulatório de Epidemiologia somente em caso de alguém picado por cobra dar entrada no Hospital. Outra informação desmentida pela própria direção do HSCC é de que o rótulo teria sido trocado, o que não é verdade.
Leia abaixo a nota do HSCC sobre o caso na íntegra:
“O Hospital Santa Cruz de Canoinhas informa que identificou, no dia 11 de julho de 2025, uma ocorrência envolvendo a administração de medicamento em sua unidade de maternidade, a qual está sendo devidamente apurada por meio de sindicância interna.
Desde o primeiro momento, o Hospital adotou todas as medidas de assistência e acolhimento às famílias e aos recém-nascidos envolvidos, que vêm e serão monitorados de forma contínua por nossa equipe multidisciplinar.
Reforçamos que, nenhuma reação adversa foi identificada nos recém-nascidos, os quais não estão internados, permanecem estáveis e sob acompanhamento, estando todas a famílias sendo acompanhadas por nossa equipe que está seguindo todos os protocolos de segurança dos pacientes.
O Hospital reafirma seu compromisso com a transparência, com a ética profissional e, sobretudo, com a segurança e bem-estar de seus pacientes e da comunidade, adotando todas as providências cabíveis para o total esclarecimento do ocorrido.”
A reportagem tentou contato com duas médicas pediatras que atuam no HSCC para entender os possíveis efeitos colaterais do antídoto em bebês, mas não obteve retorno.