
A entrada da safra 2025 de café começa a influenciar os preços no Paraná, com queda expressiva no valor pago aos produtores. Apesar disso, o consumidor ainda enfrenta preços altos. Em julho do ano passado, o quilo do café custava em média R$ 16,10, enquanto agora chega a R$ 31,34.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, a estimativa é de uma produção de 718 mil sacas (43,1 mil toneladas) em 25,4 mil hectares. Isso representa 1% da produção nacional. Até o momento, 68% da área já foi colhida. O avanço da colheita levou à queda de 40% no preço da saca, agora cotada a cerca de R$ 1.500, ante os mais de R$ 2 mil registrados em junho.
Com o café tradicional ainda caro, o café solúvel surge como alternativa. O Paraná é líder na exportação do produto e abriga um dos maiores polos industriais do segmento. No primeiro semestre de 2025, foram exportadas 15.240 toneladas, gerando US$ 199,6 milhões — 35% do total nacional. Os Estados Unidos são o principal destino, comprando 15% do volume.
Contudo, a tarifa adicional de 50% anunciada pelo governo Donald Trump ameaça a competitividade do setor. O impacto pode atingir fábricas e fornecedores fora do Paraná, segundo o agrônomo Carlos Hugo Godinho. A análise faz parte do Boletim de Conjuntura Agropecuária, divulgado pelo Deral.
Outros destaques do boletim:
Carne bovina:
As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram mais de 100% no primeiro semestre de 2025, passando de 85 mil para 181 mil toneladas. Mesmo assim, a nova tarifa já pressiona os preços no mercado interno: a arroba caiu para R$ 296,10, menor valor desde outubro de 2024, segundo o Cepea.
Piscicultura:
As exportações de peixes do Paraná, majoritariamente para os EUA, somaram 7,6 mil toneladas em 2024, gerando US$ 34,3 milhões. Segundo o analista Edmar Gervásio, mesmo com o risco tarifário, as cooperativas devem manter os envios, priorizando a consolidação de mercado externo. O impacto, se houver, seria inferior a 1% do faturamento das empresas.
Suínos e frangos:
O custo médio de produção do suíno vivo no Paraná subiu para R$ 6,17 por quilo no primeiro semestre, alta de R$ 0,57 em relação a 2024. Para o frango, o custo chegou a R$ 4,72 em junho, com aumento de 3,1% no ano, puxado por genética e sanidade.
Suco de laranja:
Com 12,8 milhões de toneladas produzidas na safra 2024/25, o Brasil é responsável por 79% do suco de laranja comercializado no mundo. O Paraná é o terceiro maior produtor, com 804,3 mil toneladas. As exportações paranaenses renderam US$ 141 milhões, com destaque para a Bélgica, Países Baixos e EUA.