
A indústria Millpar, referência na fabricação de produtos à base de madeira no Paraná, anunciou nesta terça-feira (19) o encerramento definitivo das atividades na unidade de Quedas do Iguaçu e a demissão em massa de colaboradores na planta de Guarapuava, onde mantém sua principal estrutura produtiva.
No comunicado oficial, a empresa destacou que a decisão foi motivada pela tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. O mercado norte-americano é o principal destino das exportações da Millpar, e a nova taxação reduziu drasticamente a competitividade do setor, inviabilizando parte das vendas.
Mesmo após conceder férias coletivas a mais de 700 trabalhadores como medida emergencial, a companhia informou que a persistência do cenário obrigou a reduzir o quadro de colaboradores. Apesar dos cortes, a Millpar reforçou a importância da unidade de Guarapuava para a economia local, mantendo a produção em operação e preservando empregos na região.
“Estamos tomando decisões extremamente difíceis, mas necessárias para garantir a sustentabilidade do negócio e preservar parte significativa dos postos de trabalho”, afirmou ao portal G1 PR, Ettore Giacomet Basile, CEO da Millpar.
Além dos direitos previstos em lei, a indústria informou que concedeu benefícios extras aos trabalhadores desligados, como auxílio-alimentação temporário, apoio psicológico e suporte para recolocação profissional.
Impacto para a indústria paranaense
O anúncio da Millpar repercutiu em todo o setor industrial do Paraná, especialmente no polo madeireiro de Guarapuava, considerado estratégico para as exportações. Dados da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre) mostram que o setor gera cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos no estado, com forte dependência do mercado norte-americano.
Somente em 2024, o Paraná exportou mais de US$ 627 milhões em produtos florestais, entre molduras, compensados, madeira serrada e celulose. Com o tarifaço, diversas cidades que têm na indústria sua principal fonte de renda, como Guarapuava, Quedas do Iguaçu e Telêmaco Borba, enfrentam agora um cenário de instabilidade econômica.
O Governo Federal anunciou medidas emergenciais, incluindo uma linha de crédito de R$ 30 bilhões e flexibilizações tributárias. O Governo do Paraná também apresentou iniciativas de apoio, mas ainda há preocupação entre empresários e trabalhadores sobre os efeitos de médio e longo prazo no setor.