A sociedade brasileira nunca foi tão digital, com cobertura de internet chegando a quase todos os lares do país e média de mais de um smartphone por habitante. Não só apenas os cidadãos já estão com os dois pés no futuro, mas empresas privadas e agências governamentais também.
De fato, o Brasil se tornou exemplo, sendo o segundo maior país no ranking global de governança digital, já tendo digitalizado cerca de 90% dos serviços públicos. No entanto, o avanço digital brasileiro esbarra em um obstáculo perigoso: a falta de data centers em território nacional. Um novo pacote de incentivos do Governo Federal pretende virar esse jogo. Saiba mais aqui.
Tecnologia, Segurança e Soberania

A nova era digital traz desafios na mesma proporção em que traz benefícios. Com quase toda a sociedade conectada (indivíduos, órgãos de governo e empresas) o volume de dados sensíveis circulando na rede aumentou exponencialmente. Todo esse volume de dados depende de data centers para circular e o Brasil possui apenas 40% dos centros que precisaria ter para processar tudo internamente.
A maior parte do processamento de dados ainda é feita em data centers no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Essa situação não apenas encarece e reduz a performance de serviços digitais, como também representa uma ameaça à segurança nacional.
Servidores localizados no Brasil estão sujeitos à LGPD, mas o país não tem como impor sua lei de proteção de dados à centros no exterior. Estudos apontam que fazer um baixar VPN aumenta significativamente o nível de segurança do usuário, mas pode não ser o suficiente nesse caso. Pior ainda, data centers estrangeiros estão sujeitos às leis locais. Nos Estados Unidos, o FBI pode requisitar acesso a dados de centros localizados no país.
Acelerando o Amadurecimento Digital

Sem dúvida, a corrida para aumentar a capacidade de processamento de dados no país é uma questão de soberania digital. Com o objetivo de acelerar o processo de implementação desses centros, o Governo Federal elaborou uma série de incentivos fiscais, reunidos no Plano Nacional de Data Centers, ou ReData.
A aprovação do ReData deve sair ainda este ano, embora ainda não se saiba quando será votado. De qualquer maneira, o governo já calculou seu impacto no orçamento do ano que vem e a expectativa é que o ReData entre em vigor já em janeiro de 2026. O programa oferece isenções fiscais para importação de equipamentos, IPI e PIS/COFINS, reduzindo os custos de implementação de infraestrutura.
Trata-se de um projeto de médio prazo: na próxima década, o governo espera atrair até R$2 trilhões em investimentos no setor. Os centros de dados beneficiados pelo programa também assumem compromissos com a sociedade, como ceder pelo menos 10% de sua capacidade para universidades públicas, centros de pesquisas e empresas nacionais.
Dados do Desafio
O ReData somará esforços com políticas locais de incentivo. Sete estados brasileiros já possuem seus próprios programas, como São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No entanto, um centro de dados pode consumir centenas de megawatts por hora. Suprir tamanha demanda energética é um desafio considerável, exigindo também investimentos no sistema de distribuição de energia, antes de receber centros de dados de grande porte.