Paraná pode criar selo “Beber Legal” para certificar procedência de bebidas

Projeto de lei de Requião Filho em parceria com a Abrabar propõe selo de qualidade para bares e restaurantes e busca coibir consumo de bebidas adulteradas.

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Atualizado há 5 meses

Os recentes casos de cegueira e mortes provocados por bebidas adulteradas com metanol acenderam o alerta sobre a segurança do consumo de álcool no Brasil. No Paraná, um projeto de lei em tramitação quer enfrentar o problema com mais rigor.

A proposta (PL 393/2025), apresentada pelo deputado estadual Requião Filho (PDT) em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), cria o selo Beber Legal, uma certificação para bares e restaurantes que comprovarem a procedência e a qualidade das bebidas comercializadas.

Garantia de segurança e transparência

O selo Beber Legal tem como objetivo assegurar rastreabilidade, coibir o comércio de produtos adulterados e oferecer mais segurança ao consumidor. O projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa e aguarda análise da Comissão de Defesa do Consumidor.

Segundo o deputado Requião Filho, a proposta altera a Consolidação das Leis de Defesa do Consumidor no Estado e funciona como medida preventiva. “O Estado precisa agir para que novas tragédias não voltem a acontecer. Esse projeto foi pensado para dar mais transparência à venda e ao consumo de bebidas, protegendo a população e valorizando o comércio que cumpre as regras e vende produtos de qualidade”, afirmou.

O projeto prevê a criação do selo “Beber Legal”, que certifica bares e restaurantes que comprovarem a procedência e a qualidade das bebidas comercializadas | Foto: Valquir Kiu Aureliano/Prefeitura de Curitiba
O projeto prevê a criação do selo “Beber Legal”, que certifica bares e restaurantes que comprovarem a procedência e a qualidade das bebidas comercializadas | Foto: Valquir Kiu Aureliano/Prefeitura de Curitiba

Proteção ao consumidor e ao comércio legal

O presidente da Abrabar, Fábio Aguayo, destacou que o Paraná é um corredor natural de produtos sem procedência, vindos do Paraguai e da Argentina. “Esse é um projeto de via dupla. Ele protege a indústria e os empresários sérios, além do consumidor, que terá a garantia de estar consumindo um produto com procedência”, ressaltou.

O texto conta com o apoio de outros parlamentares, entre eles as deputadas Ana Júlia (PT), Cristina Silvestri (PP), Luciana Rafagnin (PT), e os deputados Arilson Chiorato (PT), Gilberto Ribeiro (PL), Goura (PDT) e Delegado Tito Barichello (União).

Riscos e perdas bilionárias

De acordo com a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), cerca de 36% dos destilados vendidos no país são adulterados, representando bilhões em prejuízos e sérios riscos à saúde. Um estudo da Euromonitor International, desenvolvido para a ABBD, aponta que o Brasil deixou de arrecadar R$ 28 bilhões em 2024 devido ao mercado ilegal de álcool. Já o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) estima que o comércio ilegal de bebidas falsificadas gerou R$ 56,9 bilhões de impacto financeiro em 2022.

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