“Eu achei que era o meu fim”: jovem vítima de tentativa de feminicídio desabafa

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Atualizado há 4 meses

A jovem Kessya Souza, de 18 anos, vítima de uma brutal tentativa de feminicídio em Rio Negrinho (SC), voltou para casa e usou as redes sociais para desabafar sobre o ataque e o processo de recuperação.

O caso, que chocou o Planalto Norte catarinense, aconteceu na tarde do dia 24 de outubro, em um supermercado no bairro São Rafael, e deixou a cidade comovida.

Na ocasião, Kessya foi esfaqueada pelo ex-companheiro, de 23 anos, enquanto trabalhava.

O agressor utilizou um facão e desferiu diversos golpes contra ela, que chegou a ter a mão direita amputada e sofreu vários ferimentos na cabeça e no corpo. Outras duas pessoas — uma mulher de 33 anos e um jovem de 19 — também ficaram feridas ao tentar intervir.

Reprodução Instagram

Prisão em flagrante e investigação

Após o ataque, o suspeito fugiu em uma motoneta, mas foi localizado e preso pela Polícia Militar no bairro São Pedro. Durante a abordagem, ele confessou o crime, alegando que agiu motivado pelo fim do relacionamento.

Com ele, os policiais apreenderam duas facas e, posteriormente, encontraram o facão usado no crime, com vestígios de sangue.

O homem foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil e autuado por tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio. O caso segue em investigação.


“Senti que era o meu fim”

Depois de dias internada na UTI, Kessya recebeu alta hospitalar no dia 27 de outubro. Em uma longa e emocionante publicação nas redes sociais, ela relatou o que viveu durante o ataque e expressou gratidão por estar viva.

“O desespero e o medo tomaram conta de mim naquele dia, quando escutei meu nome.
A única coisa que senti, por instinto, foi vontade de fugir.
Tentei correr, mas caí duas vezes e, na segunda, fui atacada.
Me arrastei até a calçada e, naquele momento, senti como se fosse o último da minha vida.
Senti que era o meu fim.

Em outro trecho, Kessya descreveu a violência que sofreu e o momento em que acreditou que não sobreviveria:

“Enquanto ele me golpeava com o facão, eu não percebia o quão brutal era o ataque.
Hoje eu entendo: era a mão de Deus me protegendo, mesmo antes que eu clamasse por Ele.
De repente, tudo ficou branco, como se eu fosse desmaiar, e minha vista embaçou.
Então, ele me largou. Provavelmente achou que eu estava morta.”

Reprodução Instagram

Fé, força e recomeço

Durante a recuperação, Kessya compartilhou que a fé foi o que a manteve de pé, mesmo diante das sequelas e do trauma.

“Na sala de cirurgia, havia sangue por todo lado.
Quando o doutor viu o ferimento, ele me disse: ‘Não há solução. Sua mão vai precisar ser amputada’.
Eu implorei a Deus: ‘Senhor, por favor, me deixa com a minha mão!’.
Mas, no final, entendi que eu nunca mais a teria.”

Mesmo após tudo o que passou, a jovem afirma não sentir ódio e se mostra grata pela vida:

“Hoje, só penso em Deus e em agradecer por ainda estar aqui.
E por duas pessoas que foram fundamentais: Jhenyfer e Felipe, meus dois heróis, que enfrentaram a morte para me defender.”


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