A Itaipu Binacional reforçou seu comprometimento com a reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu após o tornado que atingiu o município em 7 de novembro, deixando oito mortos, dezenas de feridos e um rastro de destruição em áreas urbanas e rurais.
Nesta quarta-feira (19), o diretor-geral brasileiro da usina, Enio Verri, esteve em Rio Bonito do Iguaçu para acompanhar de perto o trabalho de limpeza, atendimento às famílias e planejamento das obras de recuperação.
A comitiva contou com a presença do prefeito Sezar Bovino; do coordenador das ações do Governo Federal no município, Josias Lesch; do representante da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Martin Esteche; do integrante da direção nacional do MST, Roberto Baggio; entre outras autoridades.

Planejamento para reconstruir melhor
Enio Verri destacou que a fase mais crítica do socorro inicial já foi superada e que, agora, o foco se volta à reestruturação da cidade.
“É hora de começarmos a pensar na reconstrução da cidade, de forma planejada, com uma visão de futuro, para que seja ainda melhor do que antes. A prioridade é a vida”, afirmou.
Segundo ele, num primeiro momento o esforço concentrou-se no atendimento aos feridos, na oferta de abrigo, alimentação e na cobertura emergencial das casas. Em seguida, começaram as ações voltadas à recuperação de prédios públicos e agora entram na pauta medidas para apoiar também os empresários locais, garantindo que a economia da cidade continue funcionando.
Medidas do Governo Federal e proteção ao trabalhador
Durante a visita, a superintendente do Ministério do Trabalho no Paraná, Regina Cruz, anunciou o Bolsa Qualificação, benefício que assegura o pagamento de um salário mínimo aos trabalhadores com carteira assinada que tiveram o contrato suspenso em razão da tragédia.
Ao todo, 837 trabalhadores serão contemplados com o programa.
O Ministério do Trabalho já havia confirmado outras medidas de apoio, como a liberação de parcelas adicionais do Seguro-Desemprego, autorização para saque do FGTS e suspensão temporária da obrigatoriedade de recolhimento do FGTS pelas empresas afetadas.
“Queremos seguir em frente, reconstruir e, quem sabe, fazer uma festa de Natal fraterna, com todos que estão nos ajudando. É o nosso sonho”, declarou o prefeito Sezar Bovino.
Ações da Itaipu em Rio Bonito do Iguaçu
Desde o primeiro dia após o tornado, a Itaipu Binacional passou a enviar materiais de construção, água e outros itens emergenciais ao município.
Na sequência, equipes técnicas passaram a identificar os pontos prioritários de intervenção, com destaque para os prédios da Prefeitura, da Feira do Produtor e do Centro de Comércio Popular. Engenheiros da Itaipu atuam em conjunto com o CREA na avaliação de estruturas comprometidas, definição do que deve ser demolido e do que pode ser recuperado, além da elaboração de laudos e documentação técnica necessária para a contratação das obras.
Por meio do Fundo de Auxílio Emergencial, já foram repassados R$ 200 mil à prefeitura e R$ 150 mil para a estruturação de postos de saúde temporários.
No dia 18, com apoio do Itaipu Parquetec, foram entregues 35 computadores, armários e telefones celulares para a administração municipal. Equipamentos, ferramentas básicas para reconstrução e combustível para maquinário pesado também foram doados pela binacional.
Enio Verri ressaltou que as ações da Itaipu se somam às iniciativas do Governo Federal, que incluem recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de vários ministérios, como Desenvolvimento Social, Saúde, Integração e a própria Secretaria de Relações Institucionais.
“É essa soma de todo mundo que faz a transformação. Podemos anunciar que já passa da casa de R$ 30 milhões de investimentos feitos pelo Governo Federal para a recuperação da cidade. Então, a gente só quer aqui renovar esse compromisso, falando em nome do Governo Federal, do presidente Lula e da Itaipu, e nos colocar à disposição”, concluiu Verri.
Rede de solidariedade em ação
Ao percorrer diferentes pontos de Rio Bonito do Iguaçu, o diretor-geral da Itaipu encontrou dezenas de voluntários trabalhando na limpeza de ruas, na retirada de entulhos e na reconstrução de moradias.
Grande parte desses voluntários são integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que se organizaram em mutirões para auxiliar a população. Além das frentes de trabalho nas ruas e nas casas, militantes de todo o Estado ajudam na produção de cerca de 2.500 marmitas por dia para as famílias afetadas.
“A solidariedade e a cooperação são a melhor forma de reerguer a cidade”, afirmou Roberto Baggio, que coordena o trabalho dos voluntários.
Entre as casas atendidas está a de Maria Aparecida Ferreira de Oliveira, na Rua Projetada B. A tempestade arrancou todas as telhas e danificou móveis. Com dificuldade de locomoção e o marido com problema na perna, ela dependeu totalmente da ajuda dos voluntários.
“Não sei o que faria sem essa ajuda. Não tenho força e meu marido não poderia subir as escadas. Deus me deu forças para conseguir fechar a porta, de tão forte que era o vento. Mas, graças a Deus, a saúde e a vida estão aqui. O resto, a gente constrói”, desabafou.
Estragos no campo e apoio às famílias rurais
A destruição do dia 7 de novembro não se limitou à área urbana. Na zona rural, as tempestades derrubaram torres de energia, destruíram construções e até silos inteiros foram retorcidos pela força do vento.
Para apoiar os agricultores familiares, a Itaipu conta com o apoio do convênio Semeando Gestão, responsável pelo levantamento dos danos em propriedades rurais e pela elaboração de laudos socioeconômicos. Ao todo, 260 famílias estão sendo atendidas em Rio Bonito do Iguaçu e outras 23 em Guarapuava.
Após a agenda no município, Enio Verri seguiu para o Assentamento Nova Geração, em Guarapuava, também fortemente atingido. O coordenador local, Nelson Florentino dos Santos de Souza, o “Jacaré”, mostrou os pontos onde os prejuízos foram mais graves: igrejas e galpões que desapareceram, deixando apenas terrenos cobertos de destroços.
Histórias de perda e resistência
Uma das histórias mais marcantes é a de Adair Hoffmann.
“Em cinco segundos, perdi tudo. A casa, o caminhão, tudo que a gente tinha. Mas, graças a Deus, a minha família está aqui, é só por eles que eu sigo”, disse o agricultor.
A esposa de Adair ainda está muito traumatizada e o filho só escapou porque uma geladeira caiu sobre ele, protegendo-o de parte dos destroços.
Também diante do que restou de sua casa, Antoninho Makoski tenta encontrar forças para recomeçar. “A gente não esperava uma coisa assim, mas agora é olhar para a frente e reconstruir”, afirmou.
Na casa de Lurdes Ribeiro Barbosa, as telhas já foram recolocadas, mas o trauma permanece. “Nos primeiros dois dias, eu não conseguia falar. Não conseguia dizer nada”, contou.
Enio Verri explicou que, com o apoio do Semeando Gestão, estão sendo feitos levantamentos técnicos que vão embasar pedidos de recursos aos governos estadual e federal para reconstrução de galpões, moradias e demais estruturas. Pelo Fundo de Auxílio Eventual, a Itaipu deve repassar, em breve, o valor necessário para a construção de um novo barracão comunitário.
A expectativa é de que, com a continuidade das ações da Itaipu, do Governo Federal, dos municípios e da rede de voluntários, a reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu e das comunidades rurais vizinhas avance de forma integrada, garantindo condições dignas para as famílias retomarem suas vidas.
“Vocês já provaram que são fortes. Agora, contem conosco. Podemos fazer muita coisa juntos”, finalizou o diretor-geral brasileiro da Itaipu.








