Vacinação contra HPV vai respeitar cronogramas individuais

Ainda que nacional, campanha terá diferenças entre municípios. Equipe de Saúde de Porto União expõe formatos

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Vacina está disponível nas unidades de saúde mas em Porto União, primeira etapa começa nas escolas

Começou na segunda-feira, 10, e estende-se oficialmente até o dia 31 a primeira edição da campanha contra o HPV. A iniciativa é do Ministério da Saúde e prevê a imunização de meninas com idades entre 11 e 13 anos. Nas Cidades Irmãs, a mobilização será diferente. União da Vitória e Porto União definiram seus próprios cronogramas e modelos de aplicação da vacina. No lado paranaense, as garotas precisam procurar as unidades de saúde. “Elas precisam vir com os pais ou um responsável”, lembra a enfermeira da Sala de Vacinas do prédio do INSS, Marisa Tomas. Segundo ela, na estreia da campanha, a adesão foi pequena. “Mas, como a vacina vai estar disponível durante o ano, será de rotina, não é preciso formar filas”, lembra.

Foi justamente para esclarecer estas e outras dúvidas que a equipe de Saúde de Porto União organizou no início da tarde de segunda-feira uma coletiva com a imprensa e diretoras de escolas. No município, a primeira dose da vacina será dada nos estabelecimentos de ensino. “Mas vamos vacinar apenas as meninas que moram em Porto União. Nas escolas, vamos agendar nossa visitação”, explica o coordenador da Epidemiologia, Simão Ilczyszyn. A seleção garante o uso correto das 875 doses enviadas pelo governo ao município. A expectativa é de que até o final do mês, 80% das meninas alvos da campanha, estejam vacinadas.

Coletiva reuniu diretoras de escola e profissionais da Saúde para discutir esquema de vacinação
Coletiva reuniu diretoras de escola e profissionais da Saúde para discutir esquema de vacinação

O médico oncologista, Carlos Ferreira, defende a aplicação da vacina e coloca em xeque todas as discussões sobre o tema. Para ele, o medicamento não oferece efeitos colaterais, bem como inibe o aparecimento do câncer de colo de útero. “Não há contraindicações. A vacina tem que ser feita”, ressaltou. “A vacina dada nas meninas serve como barreira para os meninos”, lembra. Conforme dados apontados pela equipe, no ano passado dois pacientes morreram vítimas de câncer. Em 2007 foram cinco o número de vítimas.

A vacina disponível pelo governo vai de encontro aos quatro subtipos de HPV. “Destes, dois causam o câncer”, lembra Simão. A vacina tem aplicação no músculo “deltóide”, ou seja, na parte superior do braço, e requer 15 minutos de repouso. A introdução inédita do medicamento no calendário é fruto de estatísticas pouco otimistas. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer uterino é o mais frequente na população feminina. Só perde para o câncer de mama.

Vacinação em três etapas

A vacina está disponível comercialmente no Brasil desde 2006. Ela é aplicada em três doses. A segunda dose será aplicada seis meses depois da primeira e a terceira, após cinco anos. O esquema, conforme o Ministério da Saúde, é recomendado pelo TAG, órgão que assessora as técnicas de imunização. O mesmo modelo é aplicado no Canadá e Suíça. Os especialistas apostam na eficácia, mas temem o esquecimento da terceira dose, já que ela ocorre muito tempo depois desde a ingestão da primeira. Para o ano que vem, a cobertura deve atingir meninas de nove a 11 anos.

Adultas e meninos

Para mulheres mais velhas ou meninos, ainda que dentro da faixa etária voltada às meninas, a vacina está disponível apenas em clínicas particulares. Quem quiser se imunizar vai precisar mexer no bolso. Em média, cada dose custa R$ 500. Em 2006, quando chegou ao Brasil, o valor era ainda mais alto. Na época, a dose não saia por menos de R$ 1 mil.

Novidade

Não é apenas a vacinação que estreia na rede pública. O incentivo Federal brinda as meninas com uma moderna caderneta de vacinação. Colorida e com dicas para adolescentes, o material tem espaço para a anotação das vacinas, sugestões de moda, comportamento e cuidados com o corpo.

Outra novidade é a cessão do termo de recusa, disponibilizado aos pais que não acham conveniente a aplicação do medicamento.

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