A Polícia Militar Ambiental de Porto União resgatou um filhote crescido de jaguatirica (Leopardus pardalis) após ser acionada por um morador que encontrou o animal dentro de sua residência, na localidade de Santa Cruz do Timbó, interior do município.
Apesar de não apresentar ferimentos graves, o felino demonstrava sinais claros de já ter passado por manejo humano — um indicativo de que pode ter sido mantido ilegalmente em cativeiro.
Segundo a PM Ambiental, o animal foi encaminhado na tarde desta terça-feira, 9, para uma clínica veterinária conveniada em Rio Negrinho (SC), onde deve permanecer em avaliação e tratamento.
A expectativa é que, após acompanhamento especializado, o felino possa iniciar um processo de reabilitação até que esteja apto a retornar ao habitat natural.
Veterinário alerta: manter animais silvestres em casa é crime e prejudica a recuperação
O médico-veterinário Stanley Viliczinski, especialista em fauna silvestre e credenciado pelo IMA-SC, fez uma avaliação preliminar e confirmou que o filhote — um macho, já quase do tamanho de um adulto — apresenta evidências de contato prolongado com humanos.
“Esse animal se trata de um jovenzinho de jaguatirica. Infelizmente, está com traços de animal que vinha sendo mantido em cativeiro, o que não pode, é proibido e configura crime ambiental. Agora ele precisará passar por um processo longo e demorado de reabilitação.”, explicou.
O profissional reforça que o vínculo criado com seres humanos dificulta muito o retorno desses animais à vida selvagem, já que eles perdem habilidades essenciais de caça, defesa e sobrevivência.
Ele também fez um alerta importante à população:
“Ao encontrar filhotes de fauna silvestre, normalmente os pais estão por perto. Não é para retirar o animal do local. Em caso de extrema necessidade, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Ambiental, que fará o encaminhamento correto. Jamais tentar criar em casa.”
Período de adaptação varia para cada animal
Sobre o tempo necessário para reabilitação e possível soltura, Viliczinski destaca que não existe prazo definido:
“Tudo depende de cada indivíduo. Alguns voltam rápido para a natureza, outros demoram, e alguns não conseguem retornar. Nestes casos, são encaminhados para mantenedouros de fauna ou zoológicos. Essa avaliação é feita pelas equipes do IMA e do Cetas/SC.”
Caso reforça importância da denúncia
A Polícia Ambiental orienta que qualquer informação sobre a possível captura ou manutenção ilegal de animais silvestres deve ser comunicada imediatamente.
Criar espécies nativas em casa, além de crime ambiental, compromete permanentemente a saúde física e comportamental dos animais.
Conheça a jaguatirica (Leopardus pardalis)
A jaguatirica é um felino de porte médio, muito ágil, solitário e típico de áreas de mata fechada. No Brasil, está presente em biomas como Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Amazônia.

Principais características:
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Tamanho: entre 40 e 55 cm de altura e podendo chegar a 18 kg.
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Pelagem marcante: amarelo-ocre com rosetas e listras escuras — uma das marcas mais bonitas entre os felinos brasileiros.
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Comportamento: noturno, silencioso e territorialista; raramente entra em contato com humanos.
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Alimentação: pequenos mamíferos, aves, répteis e anfíbios.
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Importância ecológica: controla populações de roedores e mantém o equilíbrio ambiental.
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Status de conservação: apesar de não estar entre as espécies mais ameaçadas, sofre com caça, atropelamentos e perda de habitat.
A jaguatirica nunca deve ser criada em casa — além de ilegal, isso causa danos emocionais e comportamentais que podem impedir o retorno à natureza.
Filhote de Jaguatirica com sinais de domesticação foi resgatada em Porto União